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CELEBRAR O DOMINGO VIGÉSIMO


Os textos da Escritura propostos para o vigésimo domingo (Ano B) são sobejamente conhecidos! Vários cânticos utilizados nas celebrações fazem eco destes textos. Por isso, talvez seja necessário escutá-los com ainda mais atenção: a Palavra de Deus é alimento, é para ser comida… um convite a saborear a bondade divina. A Sabedoria «pôs a mesa» (primeira leitura), somos convidados a saborear «como o Senhor é bom» (salmo), a dar graças a Deus com «salmos, hinos e cânticos espirituais» (segunda leitura) e, claro, a alimentarmo-nos de Jesus Cristo para ter «a vida eterna» (evangelho). É um convite que se repete em cada domingo, em cada eucaristia.

«Vinde comer do meu pão»
O livro dos Provérbios faz-nos uma proposta de sensatez e de prudência, com ensinamentos acumulados ao longo dos séculos. Os provérbios são sentenças breves que contêm um pouco da sabedoria que tem origem em Deus e que passou a fazer parte do património cultural dos povos. Este livro — Provérbios — é composto por várias coleções de máximas: as mais antigas (capítulos dez a vinte e dois e capítulos vinte e cinco a vinte e nove) remontam à época de Salomão (século décimo, antes de Cristo); as mais recentes (capítulos um a nove e capítulo trinta e um) fazem parte, muito provavelmente, da época pós-exílio (por volta do século terceiro, antes de Cristo).
O fragmento da primeira leitura (retirado do nono capítulo) apresenta-nos a Sabedoria como uma senhora que constrói uma casa e se dispõe a oferecer os seus bens a todas as pessoas. A proclamação/convite é feita nos pontos mais altos da cidade. E é dirigida ao «inexperiente» e aos «insensatos» para mostrar a necessidade imprescindível deste saber e desta sensatez. O pão e o vinho são o conteúdo da oferta. A interpelação termina com a indicação para seguir pelo «caminho da prudência», o caminho que conduz à vida.
O tema do banquete é um tema recorrente em toda a Sagrada Escritura. Em Israel, como entre nós, partilhar a mesa era sinal de comunhão. Aqui, comer o pão e beber o vinho oferecidos pela Sabedoria, a anfitriã, significa seguir os seus ensinamentos, acolher as suas propostas. Cada um é livre para aceitar ou recusar sentar-se à mesa e partilhar a refeição!

Nesta alusão do livro dos Provérbios vemos uma referência a Jesus Cristo. Ele é quem nos traz a autêntica sabedoria como uma Boa Notícia (Evangelho) e nos convida a sentar à mesa da eucaristia em que o próprio se dá como alimento. Sim, Jesus Cristo é a Sabedoria de Deus incarnada que se oferece como pão e vinho (carne e sangue, na terminologia evangélica; corpo e sangue, na formulação eucarística): «tomai, todos, e comei: isto é o meu corpo»; «tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu sangue». E assim a eucaristia é alimento de vida eterna. «O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo, que Se faz presente no seu caminho pascal para o Pai: este movimento introduz-nos, corpo e alma, no movimento de toda a criação para a sua plenitude em Deus» (Francisco, A Luz da Fé, 44).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo vigésimo (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.8.15 | Sem comentários

ANO CRISTÃO


O Livro dos Provérbios reúne a atividade dos sábios de Israel, que durou muitos séculos (entre o décimo e o terceiro século antes de Cristo). Embora seja empresa impossível determinar o processo de compilação do Livro, podemos indicar pelo menos três etapas: primeiro, houve as coleções de provérbios conservados nas famílias e nos clãs; depois, no tempo de Salomão e de outros reis (25, 1), encorajou-se a coleção e a edição da sabedoria tradicional; por fim, deu-se a redação da parte do editor, que aconteceu no período do pós-exílio, pelo menos antes da formação do Livro de Ben Sirá (escrito entre 190 e 185 antes de Cristo), que já conhece o Livro dos Provérbios. O reda­tor final completou o Livro juntando os primeiros nove capítulos como introdução e os versículos 10 a 31 do trigésimo primeiro capítulo (o poema alfabético dedicado à mulher forte) no fim, como conclusão.
Este livro é o mais representativo dos Livros sapienciais da Bí­blia. Pode ser considerado uma antologia da sabedoria popular de Israel (sentenças, máximas, aforismos) e de escola (poemas, instruções, ensinamentos). A finalidade de ambos é a mesma: formar a pessoa, mostrar o que é realmente a vida e indicar como melhor a enfrentar. Mais que impor uma ética ou inculcar uma doutrina, o sábio quer persuadir, estimular o discípulo/leitor a uma conduta de vida.
Não temos já o sacerdote que ensina a Lei à assembleia ou o profeta que proclama a palavra a todo o povo. Temos antes o sábio que, como um pai ou uma mãe, fala de modo coloquial ao seu próprio filho, o qual deve saber escolher o caminho da vida e manter-se longe do caminho da morte. O jovem precisa de apren­der o discernimento, para saber distinguir quem lhe está falando para o seu bem no caminho da vida: a mulher-Sabedoria ou a mulher-Loucura. A parte mais vasta do livro está organizada em conselhos práticos acerca da vida quotidiana. Trata-se de distin­guir os pequenos sinais que revelam, na vida concreta e de cada dia, o mistério da presença e a grandeza de Deus.

© Tiziano Lorenzin | Editora Paulus
© Adaptação de Laboratório da fé, 2014
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Laboratório da fé celebrada, 2014



A Editora Paulus traduziu e publicou (em 2010) uma obra italiana com comentários aos textos bíblicos proclamados nas celebrações eucarísticas. No volume dedicado às primeiras semanas do Tempo Comum («Leccionário Comentado. Regenerados pela Palavra de Deus. Volume 1: Tempo Comum. Semanas I-XVII» — organização de Giuseppe Casarin) faz uma breve apresentação das primeiras semanas do «Tempo Comum» e dos textos bíblicos propostos na Liturgia. A coleção está estruturada à maneira da «lectio divina», acompanhando progressivamente todo o ano litúrgico nos seus tempos fortes, nas suas festas mas também nos dias feriais, todas as vezes que a comunidade cristã é convocada para celebrar a Cristo presente na Palavra e no Pão eucarístico.


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.9.14 | Sem comentários
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