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A Livraria no Laboratório da fé


Francesca Ambrogetti - Sergio Rubin, Paulinas Editora, Lisboa 2013, 211 páginas
Papa Francisco: conversas com Jorge Bergoglio 



Livraria Fundamentos - edições Paulinas Acaba de ser publicado em português o que talvez seja o livro mais interessante sobre a vida do actual Papa Francisco: um conjunto de entrevistas que o então bispo de Buenos Aires concedeu, em 2010, a dois jornalistas italianos, Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin. Durante os meses de Abril e Maio está prevista a publicação a Portugal de diversas obras de Jorge Bergoglio ainda do seu ministério em Buenos Aires (escritos, conferências, homilias). Em «Conversas com Jorge Bergoglio», o actual Papa descreve a sua vida, o seu pensamento sobre diversos temas eclesiais, explica a sua posição durante a ditadura argentina, e partilha também episódios do seu ministério.
Partilhamos um pequeno texto de um «credo» pessoal, que Jorge Bergoglio apresentou aos dois jornalistas – o que pode bem ser de inspiração neste Ano da Fé. No final, como de costume, o índice do livro. Boas leituras!

«Quero crer em Deus Pai, que me ama como filho, e em Jesus, o Senhor, que me infundiu o seu Espírito na minha vida, para me fazer sorrir e levar-me assim ao reino eterno da vida.
Creio na minha história que foi trespassada pelo olhar amoroso de Deus e, num dia de Primavera, 21 de Setembro, saiu ao meu encontro para me convidar a segui-lo.
Creio na minha dor, infecunda pelo egoísmo, onde me refúgio.
Creio na mesquinhez da minha alma, que procura engolir sem dar… sem dar.
Creio em que os outros são bons, e que devo amá-los sem temor, e sem trai-los nunca à procura de segurança para mim.
Creio na vida religiosa.
Creio que quero amar muito.
Creio na morte quotidiana, ardente, de que fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la.
Creio na paciência de Deus, acolhedora, boa como uma noite de Verão.
Creio que o meu papá está no Céu junto do Senhor.
Creio que o padre Duarte também lá está intercedendo pelo meu sacerdócio.
Creio em Maria, a minha mãe, que me ama e nunca me deixará só.
E espero a surpresa de cada dia na qual se manifestará o amor, a força, a traição e o pecado, que me acompanharão até ao encontro definitivo com esse rosto maravilhoso que não sei como é, de que me desvio continuamente, mas que quero conhecer e amar.
Ámen.» (pág. 131)

Índice
1. A avó Rosa e o seu casaco com gola de raposa | 2. «Convém que comeces a trabalhar» | 3. «Estás a imitar Jesus» | 4. A primavera da fé | 5. Educar a partir do conflito | 6. «Quando brincava ao Tarzan» | 7. O desafio de sair ao encontro das pessoas | 8. O risco de degradar a mensagem religiosa | 9. O claro-escuro da consciência | 10. Um país que demora a descolar | 11. A construção de uma cultura do encontro | 12. «Também gosto de tango» | 13. O árduo caminho para uma pátria de irmão | 14. A noite escura que a Argentina viveu | 15. Razões para confiar no futuro | Uma reflexão a partir de Martín Fierro | Fotos

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt —

Postado por Anónimo | 17.4.13 | 2 comentários
— A leitura no laboratório da fé —

Desde Maio de 2008 que D. António Couto (ainda antes de ser bispo) nos habitua a, todas as semanas, partilhar connosco algumas reflexões a partir das leituras dominicais no seu blog (www.mesadepalavras.wordpress.com). Agora como bispo de Lamego, e certamente para possibilitar que essas reflexões cheguem a um publico maior e menos habituado a navegar na net, D. António Couto decidiu reunir e adaptar alguns desses textos e publicá-los em pequenos livros, económicos e de leitura acessível. Começou com «Vejo um Ramo de Amendoeira» (onde de certo modo apresenta o modo como vê a sua missão de bispo), seguiu-se «Estação de Natal», e agora «A nossa Páscoa».


«Intitula-se este livrinho «A nossa Páscoa», no seguimento de 1 Coríntios 5,7, e compreende três partes: a primeira, intitulada «Tempo da Quaresma», oferece uma leitura do itinerário dos Domingos da Quaresma do Ano A, que pode sempre ser seguido também nos Anos B e C, e que deve mesmo ser seguido caso haja catecúmenos; a segunda, intitulada «Semana Santa, Semana Grande, Semana Autêntica», oferece o itinerário crente dos últimos dias de Jesus; a terceira, intitulada «Tempo da Páscoa», abre com dois textos de teor indicativo e exemplar, seguindo-se uma leitura do itinerário dos Domingos da Páscoa até ao Pentecostes, acrescida de alguns textos de João 20 e 21 não contemplados no percurso litúrgico. Insisto no nome Páscoa e evito o adjectivo pascal, que o texto bíblico não conhece. Portanto, Páscoa, sem «pás» e sem «cal», como digo na leitura poética da Ressurreição do Senhor.»
Um conjunto de 21 breves textos, que nos acompanham num caminho ao longo do Tempo da Páscoa. Textos nos quais se entrecruzam, como os fios de um tapete, breves explicações históricas sobre a origem das festas da Páscoa, histórias bíblicas e judaicas que a interpretam, e pistas para o Seguimento do Ressuscitado, «que Se levanta do chão raso e da folha plana de papiro ou de papel, elevando a humana vida e a inteira Escritura à sua Plenitude». Tudo numa linguagem de textura poética, que nos faz ler com calma, com muita calma, os passos bíblicos desta História de Deus com a Humanidade, a História de Deus connosco.

António Couto, «A Nossa Páscoa» ed. Paulus, Lisboa 2013, 119 págs.

Índice de Textos:
Tempo da Quaresma: 1. No deserto a céu aberto | 2. Música nova com pausa e bemol | 3. O mais belo diálogo do Novo Testamento | 4. Luz que lava e alumia o coração | 5. Vida dada em abundância
Semana Santa, Semana Grande, Semana Autêntica: 1. Por um coração de discípulo | 2. Ceia do Senhor | 3. Paixão do Senhor
Tempo da Páscoa: 1. As «passagens» da Páscoa | 2. Votos de Páscoa feliz do profeta Elias | 3. Vigília Pascal | 4. Túmulo aberto, mas não vazio: cheio de sinais | 5. O percurso de Madalena | 6. O percurso de Tomé, chamado Gémeo | 7. No limiar do Amor | 8. Fica connosco, Senhor! | 9. Bom e belo pastor | 10. Jesus, o Pai e nós sempre em rede | 11. A metáfora dos ventres e corações de vidro | 12. Um olhar cheio de Jesus faz ver Jesus, faz vir Jesus | 13. O Espírito Santo, Mestre dos tempos novos

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt — 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.3.13 | Sem comentários
— A leitura no laboratório da fé —

Infelizmente não têm sido muitos os que, de um modo bem fundamentado e ao mesmo tempo com coragem, se dedicam a ler o tempo presente à luz do Evangelho. Fernando Ventura é um destes poucos. Frade Capuchinho, nascido em Matosinhos em 1959, formado e especializado em teologia bíblica (publicou em 2007 o livro «Roteiro de Leitura da Bíblia», já com 4 edições), tem dedicado o seu ministério ao aprofundamento das Escrituras. Recusa a tradicional e, infelizmente, ainda muito comum, noção de que o único papel da Igreja é o da assistência social e espiritual, reforçando que esta só tem sentido a par do anúncio e da denúncia profética das injustiças que povoam a nossa realidade. Publicado originalmente em 2011 e já com 5 edições, o seu livro «Do Eu Solitário ao Nós Solidário» (escrito em conjunto com o jornalista Joaquim Franco), é um conjunto de conversas e entrevistas desenvolvidas a partir desta visão cristã da realidade. Deixo um excerto e o índice, de um livro que recomendo vivamente: apesar de não se tratar de um tradicional livro de «doutrina» ou catequese, não deixa de abordar os temas fundamentais da Fé Cristã fazendo com que estes deixem de ser «teorias» abstractas, mas experiências reais num contexto difícil.



«Diz-se que um pessimista é só um optimista bem informado. Sinceramente, procuro não ser assim. Procuro, pelo menos tento, ser um optimista informado. Procuro, ou pelo menos tento, não embarcar nem levar ninguém a embarcar em ilusões sebastianistas, alienadoras da esperança e desresponsabilizadoras da intervenção pessoal de cada um. Se alguma coisa me move no meu ser relacional, é esta luta sem quartel contra a solidão solteirona que nos mata e atrofia e que é causa de muitos dos males sociais, políticos, religiosos, morais, económicos, políticos, e de tudo o mais que quiseres, que nos afligem.
Trago comigo esta preocupação no tempo que corre e do tempo que corre. Não correr atrás de ninguém, por mais messiânica que seja a sua mensagem; tento o mais que posso não alienar a minha responsabilidade pessoal de transformação da história, pelo menos da minha história pessoal, dentro do espaço vital em que me toca viver. Sou responsável pelo mundo a construir. Não serei nunca capaz de o construir sozinho.
Enquanto ser histórico, sou ponto de chegada de todas as experiências de vida e de fé que me precederam e sou, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, ponto de partida para novas experiências de vida e novas experiências de fé que me hão-de suceder. Não sou um fim em mim próprio, nem sou o princípio absoluto de tudo, mas sou uma continuidade histórica da memória e do sonho, das memórias e dos sonhos de tantas histórias e de tantas vidas sonhadas e vividas antes de mim.
Por isso, sou responsável, pelo menos pelo “metro quadrado” que ocupo e dentro do qual procuro ser responsável por aqueles que comigo partilham esse mesmo espaço. Com esses, procuro e quero fazer a revolução que cada vez mais se torna uma urgência urgente a tornar realidade. A única revolução que será capaz de derrotar todas as formas de morte, ou seja, a revolução revolucionária dos não violentos, dos que acreditam que é possível dar a volta e criar novos paradigmas de ser e de estar no mundo, em solidariedade e em subsidiariedade da e na construção e vivência de relações novas e redimidas, sem senhores nem escravos, sem mandantes nem mandados, sem Cains que matam, destroem e dividem só para poder reinar e poder fazer florescer as suas máfias de influências cleptocráticas. São as cleptocracias que nos desgovernam. São os Cains que continuam a matar os Abéis…
A factura está aqui, diante dos olhos de todos, toda inteira para ser paga, pelos mesmos, pelos de sempre, pelos muitos que continuam a ter de sofrer muito, para que poucos, muito poucos, não tenham de se preocupar com nada. Estes, que ainda hoje conseguem navegar por cima das dificuldades do comum dos mortais, são os mesmos que nos disseram quer a nível individual, quer a nível nacional que podíamos e até deviamos continuar a viver muito acima das nossas possibilidades, porque assim é que tinha de ser, porque só com um consumo desenfreado, só com o consumo pelo consumo, muito acima das nossas possibilidades reais, era possível fazer avançar o mundo, porque esses mesmos só assim conseguiam continuar a fazer funcionar a sua máquina de construção de riqueza à custa da pobreza alheia.
Venderam-nos uma utopia. Nós comprámos um sonho de felicidade fácil. E, de repente, acordámos para um pesadelo; agora, era preciso pagar a crise, pagar o crédito, pagar a factura. Não há almoços grátis, ninguém dá nada a ninguém, a factura estava ali, para ser paga… se faz favor!» (página 16ss)

Fernando Ventura, Joaquim Franco, «Do Eu Solitário ao Nós Solidário: Deus, o Homem e o Mundo, numa conversa sem rede ou preconceitos», ed. Verso de Kapa, 5ª edição, Lisboa 2011, 157 págs.

Índice
1. Apocalipses nas Crises da História | 2. Eu, o outro e a auto-realização | 3. Da esquizofrenia religiosa à religião como princípio de humanidade | 4. O lugar do homem e da humanidade | 5. O «Ser» e o «Ter» da pobreza | 6. Do «pecado» à lucidez | 7. O que somos e onde chegámos? | 8. Quem tem medo de pensar? | 9. Deus do sensível e a estética de Deus | 10. Criação ou descriação? | 11. Religião, tensão e guerra | 12. Religião, ética e política | 13. Laicidade ou sociedade sem Deus? | 14. Encontros acidentais entre religiosos | 15. Jihad e Metanóia | 16. «Uma barraca com um submarino à porta» | 17. Subsídio-dependência ou subsidiariedade | 18. Quantos pobres são necessários para fazer um rico? | 19. Ressuscitar as palavras mortas | 20. Contrastes religiosos | 21. Francisco de Assis | 22. Jesus de Nazaré 

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt — 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 21.1.13 | Sem comentários
— A leitura no laboratório da fé —

— O Natal


M. I. Rupnik, «O Natal – com os mosaicos de M. I. Rupnik e do atelier do Centro Alleti». 
Ed. Apostolado da Oração, Braga 2011, 49 págs. PVP: 5, 00 euros

São diversas as possibilidades de uma boa leitura para este Natal: desde o livro de Bento XVI «A Infância de Jesus», até ao recentemente publicado livro de D. António Couto «Estação de Natal». No entanto, referiremos uma outra sugestão, para uma boa leitura e também para um bom presente. Publicado em 2011 pela editora do Apostolado da Oração (e com um preço extremamente interessante, dada a qualidade do álbum), encontramos em «O Natal» diversos mosaicos do jesuita esloveno Mark Rupnik, que esteve presente no passado mês de Maio no encontro «Fé e Arte» organizado pela Companhia de Jesus. Cada mosaico é acompanhado de uma breve e significativa reflexão sobre o Mistério do Natal, como Mistério no qual podemos encontrar a revelação quer do próprio Deus, quer do Ser Humano, em Jesus de Nazaré, o Filho. Aqui fica um dos mosaicos (no total são 12 mosaicos) com a respectiva reflexão. O livro termina com um artigo mais extenso sobre as origens da celebração do Natal na história da Igreja.

«Desde sempre o homem reconheceu na montanha o lugar da revelação de Deus. Além disso, para nós cristãos, o monte – o Calvário – é também o lugar da morte do Filho de Deus. A máxima revelação do amor de Deus, acontecida no Calvário, foi possível graças à sua Encarnação no seio de uma mulher, Maria de Nazaré. Com este cenário, o mosaico faz ver a mãe de Deus como o cume do monte graças ao qual Deus se revelou ao mundo.

Mas esta montanha encontra-se dentro de uma gruta, que é o símbolo do abismo, do vazio, das trevas, do pecado, da morte… A gruta é a «terra aberta» que acolhe a kenosis divina e anuncia a sua descida aos infernos depois da morte na cruz. Jesus nasce dentro de uma gruta escavada na montanha ou, vice-versa, sobre uma montanha que se eleva na gruta. Temos assim uma antinomia muito rica: nos abismos da Humanidade, onde o homem encontrou o nada e a morte como resultado do pecado, ali está a montanha suprema da revelação de Deus, que Se manifesta precisamente onde está o pecado do homem e a morte.

De facto, Deus desceu até ali e é aí mesmo que O podemos encontrar. Subir à montanha para encontrar Deus significa, paradoxalmente, descer ao abismo do próprio coração, onde reconhecemos a nossa miséria e encontramos a sua misericórdia. Apesar das nossas faltas, do pecado, do vazio, apesar da nossa inconsistência, encontramo-Lo, porque Ele desceu para carregar sobre Si o nosso mal e a nossa morte.Nós conhecemos Deus no facto de nos redimir e o perdão dos nossos pecados é a revelação mais segura de Deus, porque só Deus perdoa os pecados. O conhecimento de Deus funda-se na experiência da nossa redenção e o seu gosto permanece impresso em nós de modo inconfundível.» (na imagem: Natividade segundo Santo Inácio de Loiola, Capela da Residência dos Jesuitas São Pedro Canísio, Roma 2007)

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt —

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.12.12 | Sem comentários
— colaboração de Rui Pedro Vasconcelos — Livraria Fundamentos —

— «Do Eu Solitário ao Nós Solidário»,

de Frei Fernando Ventura e Joaquim Franco
  • Se alguma coisa me move no meu ser relacional, é esta luta sem quartel contra a solidão solteirona que nos mata e atrofia e que é causa de muitos dos males sociais, políticos, religiosos, morais, económicos, políticos, e de tudo o mais que quiseres, que nos afligem. > > >

 

— «O Natal»,

de M. I. Rupnik
  • Encontramos em «O Natal» diversos mosaicos do jesuita esloveno Mark Rupnik [...]. Cada mosaico é acompanhado de uma breve e significativa reflexão sobre o Mistério do Natal, como Mistério no qual podemos encontrar a revelação quer do próprio Deus, quer do Ser Humano, em Jesus de Nazaré, o Filho. > > > 

— «Quem foi, quem é Jesus Cristo?»,

coordenação de Anselmo Borges
  • O livro nasceu de um Colóquio realizado no Seminário da Boa-Nova em Vila Nova de Gaia, em Novembro de 2011, com o mesmo título, e reúne as conferência ali proferidas por uma série de teólogos, políticos e professores sobre a pessoa, missão e projecto de Jesus de Nazaré. > > > 

— «Nem quero crer: pode explicar-se a fé»,

de Vasco Pinto Magalhães e Henrique M. Pereira
  • O livro surgiu pela primeira vez em 2002 a partir de uma conjunto de conversas aos microfones da Rádio Renascença entre o jornalista Henrique Manuel Pereira e o padre Vasco Pinto de Magalhães, num programa intitulado «Conversas com Princípio, Meio e Fim». > > >  

www.fundamentos.pt
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 18.11.12 | Sem comentários
— A leitura no laboratório da fé —

— Quem foi, quem é Jesus Cristo?
Tanto o seu coordenador, o pe. Anselmo Borges (membro da Sociedade Missionária da Boa-Nova e professor de filosofia na Universidade de Coimbra), como um dos autores (Xabier Pikaza, professor jubilado da Universidade Pontifícia de Salamanca) estarão em Braga no próximo dia 21 de Novembro, pelas 21 horas, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva para um debate sobre a figura de Jesus de Nazaré (organização da Fundação Bracara Augusta: a entrada é livre, estamos todos convidados!)

O livro nasceu de um Colóquio realizado no Seminário da Boa-Nova em Vila Nova de Gaia, em Novembro de 2011, com o mesmo título, e reúne as conferência ali proferidas por uma série de teólogos, políticos e professores sobre a pessoa, missão e projecto de Jesus de Nazaré. Apesar (e precisamente!) de se tratarem de teólogos cristãos, ou seja, de viverem uma experiência de fé e missão em Igreja, o seu objectivo passa por estudar a pessoa de Jesus de Nazaré a partir dos dados históricos disponíveis, no confronto com as diversas fontes e na resposta às múltiplas perguntas que a história de Jesus continua a suscitar (poucos meses depois do Colóquio sairia o livro «O Último Segredo» de José Rodrigues dos Santos que, pelo número de exemplares vendidos, certamente será sido procurado também por muitos católicos - o que prova, talvez, a necessidade que temos de formação sobre Aquele que é o centro da nossa Fé).

É significativo o comentário que o pe. Carreira das Neves deixou do livro: «Li esta obra de maneira aturada e agradecida. No fim, suspirando, disse para mim mesmo: ainda tenho muito que aprender! Realmente, tenho passado grande parte da minha vida, como teólogo e exegeta da Bíblia, a estudar a pessoa de Jesus: o Jesus da história, da fé, da Igreja, dos gnósticos, de católicos, ortodoxos, protestantes, evangélicos e não crentes. Mas o Jesus ‘real’ – aquele que interessa – está para além de tudo quanto se possa dizer: pertence ao mistério da vida. E é esta vida, para além de todos os dogmas e ritos eclesiais que procuram acomodar Jesus numa prateleira bem arrumada, que os autores deste livro nos apresentam. Sem dúvida, um livro que vai ter um grande sucesso e dar que falar».

Deixo o índice e um excerto da obra, e fica a recomendação para todos os que desejam e procurar fundamentar melhor o seu conhecimento e compreensão da Pessoa de Jesus de Nazaré, do seu Projecto, da sua História.


«Quem foi, quem é Jesus Cristo?». Coordenação: Anselmo Borges. Ed. Gradiva, Lisboa 2012, 309 págs.

Índice: I. «De Jesus a Jesus Cristo» (Anselmo Borges) | II. «Uma biografia impossível de Jesus» (Xabier Pikaza) | III. «Jesus e a Gnose» (Antonio Piñero) | IV. «Jesus e Deus» (Juan A. Estrada) | V. «Jesus e o Dinheiro» (José Ignacio G. Faus) | VI. «Jesus e a Política: reflexões de um mau samaritano» (Paulo Rangel) | VII. «Jesus e as Mulheres» (Isabel A. Magalhães) | VIII. «Jesus e as Religiões» (Juan J. Tamayo-Acosta) | IX. «Jesus e a Igreja» (José M. Castillo) | X. «A Ressurreição. Que quer dizer: ‘ressuscitar dos mortos’?» (Andrés T. Queiruga)

«Jesus Cristo está na base da maior religião: mais de dois mil milhões de seres humanos espalhados pelo mundo reclamam-se hoje da fé nele e dizem-se cristãos. A sua figura foi de tal modo determinante que a História se dividiu em antes e depois de Cristo. Ninguém tem dúvidas de que, sem ele, a História seria diferente. No entanto, viveu num recanto do Império Romano e a sua intervenção pública pode não ter chegado a dois anos. Morreu como blasfemo religioso e subversivo social e político. Uma coligação de interesses religiosos e políticos de Jerusalém e Roma condenou-o à morte e morte de cruz, própria dos escravos.

Com essa morte ignominiosa, deveria ter sido o fim. O que se passou, para que, pouco tempo depois, tivesse começado em seu nome um movimento que transformou o mundo e que chegou até nós? Após a dispersão, os discípulos voltara a reunir-se, afirmando que ele está vivo em Deus. Foram testemunhas disso até à morte. Sem a convicção de fé dos discípulos de que ele está vivo e é o Vivente em Deus, não haveria cristianismo. Só assim se entende a passagem do Jesus da história ao Cristo da fé, de tal modo que o seu nome agora é Jesus Cristo, em quem se acredita como o Cristo, o Messias e Filho de Deus.

Para os crentes, se Jesus não fosse o Cristo, não passava de mais um combatente bom e generoso pela Humanidade, e um revolucionário crucificado. Há porém, um outro perigo, mais subtil: o de se ficar apenas com o Cristo Senhor glorificado, esquecendo o Jesus histórico de Nazaré, e o que ele queria e o que ele disse e fez, numa mensagem e comportamento que o levaram à Cruz. (...) Quem foi Jesus Cristo? Quem é Jesus Cristo? O Jesus de Nazaré, que os cristãos confessam como o Cristo, Jesus Cristo?» (Anselmo Borges).

Rui Pedro Vasconcelos
Livraria Fundamentos — www.fundamentos.pt — 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 17.11.12 | Sem comentários
— A leitura no laboratório da fé — 

— Nem quero crer: pode explicar-se a fé?
A livraria Fundamentos vai colaborar nesta página com sugestões de leitura para o Ano da Fé. Para hoje, «Nem Quero Crer: pode explicar-se a Fé?», cujo um dos autores, pe. Vasco Pinto de Magalhães sj, estará no próximo dia oito de novembro em Braga, às 19 horas no CAB e às 21 horas no Auditório Vita.





O livro surgiu pela primeira vez em 2002 a partir de uma conjunto de conversas aos microfones da Rádio Renascença entre o jornalista Henrique Manuel Pereira e o padre Vasco Pinto de Magalhães, num programa intitulado «Conversas com Princípio, Meio e Fim». 
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.10.12 | Sem comentários
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