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Mistério da fé! [15]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Confirmação. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Coríntios 1, 18-22; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1293 a 1301]

«Aquele que nos confirma juntamente convosco em Cristo

e nos dá a unção é Deus, Ele que nos marcou com um selo

e colocou em nossos corações o penhor do Espírito»

— escreve Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. Numa situação de crise na comunidade, Paulo invoca o testemunho do próprio Deus; e apresenta a garantia do caminho a seguir: Deus que «dá a unção», marca «com um selo» e oferece o «penhor do Espírito». São três expressões que se podem associar aos Sacramentos, em especial ao Batismo e à Confirmação.

Profissão de fé

«Os confirmandos exprimem a sua adesão a Deus Pai, que se revela e nos salva em Jesus seu Filho e nos faz viver pelo sopro do seu Espírito Santo. Ao mesmo tempo, proclama-se a fé dos confirmandos e a fé da Igreja. Não podem estar separadas uma da outra; a palavra pessoal ecoa na palavra da Igreja» (AA. VV., «Preparar, celebrar e viver a Confirmação», Difusora Bíblica, Fátima 1997, 52). [cf. tema 13]

Imposição das mãos

«A imposição das mãos não é um gesto mágico, um abracadabra. É um gesto simbólico, mediante o qual se quer comunicar o Espírito Santo ao confirmando. A Igreja usa este gesto porque tem um significado muito belo ao longo da história do povo de Israel, nas ações de Jesus e na vida da Igreja» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 47). É, na verdade, um gesto bíblico associado a uma bênção ou consagração. «A Bíblia regista, abundantemente, o uso do gesto simbólico de impor as mãos – sobretudo a direita – sobre a cabeça de alguém ou sobre um objeto e com sentidos variados: para significar a transmissão de poderes, a bênção, o perdão, ou a identificação. Jacob impõe as mãos sobre os seus netos para lhes desejar a bênção de Deus (cf. Génesis 48,9-20), Aarão, sobre o povo (cf. Levítico 9, 22), e Moisés, sobre o seu sucessor Josué, para lhe transmitir a autoridade e a sabedoria divinas (cf. Deuteronómio 34, 9), ou o sumo-sacerdote sobre o bode, na festa da expiação, para carregar sobre ele os pecados do povo e expulsá-lo para o deserto. Também Jesus abençoa, cura e perdoa com o gesto expressivo da imposição das mãos. E a comunidade cristã utiliza este mesmo gesto para transmitir o Espírito Santo aos batizados (cf. Atos 8, 17 e 19, 6), ou para confiar oficialmente uma missão, como aos diáconos ou a Paulo e Barnabé (cf. Atos 6, 6; 13, 3). [...] Na liturgia, portanto, é muito frequente o gesto, que exprime visualmente os dons de Deus e a mediação eclesial» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 140-141).

Crismação

É o «rito essencial da Confirmação» (CIC 1320). O bispo faz o sinal da cruz na fronte do crismando com o óleo do Crisma. Trata-se de um óleo perfumado benzido pela bispo, na manhã de Quinta-feira Santa, tal como o óleo dos Catecúmenos e da Unção dos Enfermos (cf. tema 11). É «o mais nobre dos óleos eclesiais: o crisma, uma mistura de azeite de oliveira e com perfumes vegetais. É o óleo da unção sacerdotal e da unção real, unções estas que estão ligadas com as grandes tradições de unção da Antiga Aliança. Na Igreja, este óleo serve sobretudo para a unção na Confirmação e nas Ordens sacras» (Bento XVI, Homilia a 21 de abril de 2011). O óleo e o perfume evocam o duplo sentido da Confirmação: «ao ser marcado pela mão do bispo com óleo perfumado, o batizado recebe um carácter indelével, marca do Senhor, juntamente com o dom do Espírito que o configura mais perfeitamente com Cristo e lhe confere a graça de difundir entre os homens o ‘bom odor’» (Ritual da Confirmação. Preliminares, 9). De facto, «tal como o perfume penetra o corpo e em seguida expande a sua fragrância, assim também o Espírito enche o coração do confirmando e em seguida se expande através dos seus dons [...], sempre com uma condição: que o confirmando viva do seu sopro!» («Preparar, celebrar e viver a Confirmação»..., 58).

Ósculo da paz

«Significa e manifesta a comunhão eclesial com o bispo e com todos os fiéis» (CIC 1301).

«Abramos a porta ao Espírito, façamo-nos guiar por Ele, deixemos que a ação contínua de Deus nos torne homens e mulheres novos, animados pelo amor de Deus, que o Espírito Santo nos dá» (Francisco, Homilia de 28 de abril de 2013).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.1.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [11]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento do Batismo. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Romanos 13, 11-14; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1234 a 1245 e 1262 a 1284]

«Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo»

— diz Paulo aos cristãos de Roma. O batizado situa-se na aurora de um tempo novo assinalado pela passagem das trevas para a luz e pelo uso de uma nova «veste». Estas comparações exprimem a intensidade da relação que, pelo Batismo, se realiza entre Jesus Cristo o os cristãos (batizados): somos iluminados interiormente pela sua presença, para o tornarmos visível nas ações que realizamos, isto é, para sermos consequentes com a nossa situação de batizados.

Sinal da cruz

Há quem coloque uma marca nos bens pessoais. Há também quem use o emblema do clube, da associação, da instituição... É um sinal de pertença e de identificação. O sinal do cristão é a cruz. Ser marcado com o sinal da cruz ou traçar sobre si o sinal da cruz é manifestar a pertença a Jesus Cristo (e à Igreja). «O sinal da cruz, no princípio da celebração, manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-Lhe, e significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela sua cruz» (CIC 1235).

Unção com óleo

Na língua portuguesa distingue-se «óleo» de «azeite». No uso litúrgico, embora se trate de azeite, a terminologia comum é a primeira («óleo»), embora se referia ao produto retirado das azeitonas («azeite»). Na história bíblica, a escolha do rei, do sacerdote, do profeta, era assinalada com uma unção: óleo derramado sobre a cabeça do escolhido (eleito). Além disso, o óleo também servia como tonificador. Recordemos, por exemplo, o uso do óleo como protetor solar ou para fazer massagens... Na celebração do batismo fazem-se duas unções: no peito e na testa. Estas são feitas com a forma do sinal da cruz. «O óleo é sinal de resistência ao pecado. Não se trata de pensar que o óleo seja algo de mágico que ‘imuniza o corpo’ contra o mal. O óleo não é feitiço. É um símbolo, e quer transmitir a força divina. Sem esforço, ninguém, por mais ungido que tenha sido, consegue vencer o mal e o pecado» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 27-28). Este é o sentido da primeira unção feita com o óleo dos catecúmenos (nome para designar os que se preparam para o batismo): «O poder de Cristo te fortaleça». A segunda unção, feita com o óleo do crisma, está associada à prática bíblica (unção do rei, do sacerdote, do profeta): «permaneças, eternamente, membro de Cristo sacerdote, profeta e rei». Sobre este óleo daremos mais pormenores ao abordarmos o Sacramento da Confirmação (ou Crisma).

Água

«Elemento da Natureza essencial à vida, é tomado, correntemente, com muitos valores e sentidos: sacia a sede, limpa, é fonte de vida, origina a força hidráulica… Em registo religioso, também serve para simbolizar realidades profundas: a pureza interior, sobretudo. Por isso, se encontram abluções ou banhos sagrados, em todas as culturas e religiões, nas margens do Ganges para os Hindus, do Nilo para os Egípcios, do Jordão para os Judeus. Para os Cristãos, a água serve para simbolizar expressivamente o que Cristo e a sua salvação são para nós» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 23). No Batismo, está associada à «vida nova em Cristo» (cf. tema 9).

Veste branca

«A veste branca simboliza que o batizado ‘se revestiu de Cristo’» (CIC 1243). Na prática habitual dos primeiros séculos, o Batismo era celebrado na Vigília Pascal. «Os batizados, ao saírem da piscina, do ‘mergulho’ do Batismo, vestiam uma veste branca e conservavam-na toda a semana, até ao domingo seguinte. [...] Era uma semana de comemoração do Batismo» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 53).

Vela (luz)

«A vela, acesa no círio pascal, significa que Cristo iluminou o neófito. Em Cristo, os batizados são ‘a luz do mundo’» (CIC 1243). O Círio Pascal simboliza Jesus Cristo ressuscitado, vivo no meio de nós. Por isso, a vela não se acende a partir de uma outra vela qualquer! «A vela do Batismo quer dizer a quem é batizado: Jesus é a luz da tua vida! Procura andar nessa luz e serás feliz!» (José Bortolini..., 23).

«Seguindo, com participação atenta, os gestos e as palavras desta celebração, os fiéis são iniciados nas riquezas que este sacramento significa e realiza em cada novo batizado» (CIC 1234).



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Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.12.13 | Sem comentários
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