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Mistério da fé! [31]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Unção dos Enfermos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Lucas 10, 30-35; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1499 a 1532]

«Vai e faz tu também o mesmo»

— diz Jesus Cristo, no evangelho segundo Lucas, ao concluir o diálogo com aquele que lhe questionou sobre quem é o «meu próximo», depois de lhe contar a parábola do bom samaritano. O papa Francisco disse que esta parábola é «um ícone bíblico que expressa em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos Enfermos [...]. Todas as vezes que celebramos este Sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do sacerdote, torna-se próximo de quem sofre e está gravemente doente, ou é idoso. Diz a parábola que o bom samaritano se ocupa do homem sofredor derramando sobre as suas feridas óleo e vinho. O óleo faz-nos pensar no que é abençoado pelos bispos todos os anos, na Missa crismal da Quinta-Feira Santa, precisamente em vista da Unção dos enfermos. O vinho, ao contrário, é sinal do amor e da graça de Cristo que brota do dom da sua vida por nós e expressam em toda a sua riqueza na vida sacramental da Igreja. Por fim, a pessoa sofredora é confiada a um hoteleiro, a fim de que continue a ocupar-se dela, sem se preocupar com a despesa. Mas, quem é este hoteleiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos nós, aos quais todos os dias o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos, no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).

Unção com o Óleo dos Enfermos

«Com a unção é significada e conferida a graça do Ressuscitado, para sublinhar que Cristo faz seu o meu corpo doente: alivia-o do peso dos sofrimentos, cura-o espiritual e fisicamente, fortalece-o, conforta-me, envolve os meus pecados em perdão cheio de amor, permite-me compreender o sentido da dor à luz da sua paixão a que me une. Portanto, neste sacramento, Jesus continua a fazer o que fazia com os doentes quando estava na terra e o que recomendou que os seus discípulos fizessem: “Curai os doentes e dizei-lhes: ‘O reino de Deus já está próximo de vós’” (Lucas 10, 9). Mas a unção dos doentes não é um gesto mágico; requer a fé como cada um dos outros sacramentos. Quando o doente se confia ao poder do Senhor poderá superar também os medos e as tentações próprias de quem sofre, terá serenidade e paz interior, sentir-se-á encorajado a esperar pela cura e, ao mesmo tempo, a acolher todos os possíveis desenvolvimentos do mal. O sacramento da unção também prepara para a morte próxima ou longínqua não como objeto específico, mas porque a morte é preanunciada pela doença, especialmente quando é grave» (Carlo Maria Martini, «O corpo», Paulinas, Prior Velho 2003, 73-74).

Os sinais e símbolos associados ao sacramento da Unção dos Enfermos são comuns a outros sacramentos: imposição das mãos (cf. tema 15); unção com o óleo (cf. tema 11).

Sentido cristão da doença

«O ato pelo qual um homem chega a dotar a doença de sentido cristão e a vivê-la na fé é uma ação do Espírito Santo que se insere num itinerário, numa caminhada humana de ‘relação’ com a doença, que é acidentado e contraditório, repleto de incógnitas e de surpresas, de gestos de assunção e de regressões, de passos atrás, de rejeições, de momentos de paz e de momentos de rebelião, de desconforto e de vontade de combater. [...] O ‘sentido cristão’ da experiência de doença acontece no encontro entre o Espírito Santo, a humanidade individual do doente, a sua fé e o ambiente que o rodeia. Por isso, quando se fala e se escreve sobre a doença e sobre a atitude espiritual diante dela, é importante sair da linguagem categórica, normativa, impositiva do ‘é preciso’, ‘deve-se’, etc. Não é só um problema de correção de linguagem, mas também de respeito por aquilo que só pode ser um evento da liberdade do doente, iluminado pelo Espírito Santo e apoiado pela fé» (Enzo Bianchi e Luciano Manicardi, «Ao lado do doente. O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes», Coleção «Cuidar e Curar», ed. Paulinas, Prior Velho 2012, 12-13).

«Gostaria que o Espírito dado neste sacramento me ajudasse e a muitos outros a ler a morte na sua realidade, como o cumprimento definitivo do Batismo, a consecução e obtenção da vida filial e fraterna» (C. M. Martini, 74).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [30]


O Sacramento da Unção dos Enfermos associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tiago 5, 13-15; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1514 a 1519]

«Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja»

— exorta a carta pastoral atribuída a Tiago, demonstrando que se trata «de uma prática que já se usava na época dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predileção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial deste Sacramento» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).

Quem pode pedir/receber a Santa Unção?

Qualquer cristão pode pedir a celebração da Santa Unção, desde que esteja numa situação de doença ou de velhice. «Não é sacramento só dos que estão no fim da vida. É já certamente tempo oportuno para a receber quando o fiel começa, por doença ou por velhice, a estar em perigo de morte» (Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium», 73). Além disso, «se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas de idade, cuja fragilidade se acentua» (CIC 1515). [cf. Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes. Preliminares, 8-15]

Quem pode presidir à Santa Unção?

«A presidência da celebração da Unção dos Enfermos está reservada aos bispos e aos presbíteros. É Cristo que, por força da sua ordenação, age através deles» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 246).

Como é celebrada a Santa Unção?

«O rito essencial na celebração da Unção dos Enfermos consiste numa unção da testa e das mãos com o Santo Óleo, acompanhada de orações» (YOUCAT 244). Depois dos ritos iniciais e da Liturgia da Palavra (como acontece em todos os sacramentos), o presbítero ou o bispo impõe, em silêncio, as mãos sobre a cabeça do enfermo («é a epiclese própria deste sacramento» [CIC 1519]); unge o doente na fronte e nas mãos ao mesmo tempo que pronuncia a oração: «Por esta santa Unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo [Amen] para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos. [Amen]» (Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes, 76); seguem-se outras orações e momentos de acordo com as várias possibilidades apresentadas no Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes: Visita e comunhão dos doentes; Ritual da unção do doente (dentro ou fora da Missa); Viático (dentro ou fora da Missa); Ritual da administração dos sacramentos ao doente em perigo de vida; Confirmação em perigo de vida; Encomendação dos moribundos.

Quando se pode celebrar a Santa Unção?

Sempre que necessário, observadas as condições referidos no que foi dito sobre quem pode pedir/receber a Santa Unção (cf. também os temas 28 e 29). «Há duas atitudes erradas que, enquanto, depender da gente, devem ser evitadas: nunca chamar o padre; esperar para chamar tarde demais. [...] Já é tempo de acabar com certas ignorâncias a respeito da Unção dos Enfermos» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 238).

Onde se pode celebrar a Santa Unção?

O local (adequado) para a celebração é a igreja paroquial, o lugar onde a comunidade se reúne em nome de Jesus Cristo. No entanto, de acordo com as circunstâncias (cf. tema 5), há outros lugares onde pode acontecer a celebração da Santa Unção: no hospital; na casa do doente. Em qualquer caso, convém não esquecer que «como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, quer tenha lugar no seio da família, quer no hospital ou na igreja, para um só doente ou para um grupo deles» (CIC 1517).

Em Jesus, «Deus está presente. Ele impõe as mãos, toca os doentes. [...] O amor de Cristo pelos doentes perdura na Igreja, que os rodeia da sua solicitude pastoral, dos seus serviços caritativos, da sua oração» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 105-107).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Anónimo | 8.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [29]


A Unção dos Enfermos (ou dos Doentes) não é apenas um Sacramento para os doentes e idosos; é também um Sacramento para acompanhar o sofrimento em qualquer etapa da vida. Entre os «efeitos» da Unção dos Enfermos conta-se a união à Paixão de Jesus Cristo (cf. Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1521 e 1532). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Colossenses 1, 24-28; Catecismo da Igreja Católica, números 1520 a 1532]

«Completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo»

— escreve Paulo na Carta aos Colossenses. O termo «carne» traduz a totalidade do ser (cf. Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 24 do primeiro capítulo da Carta aos Colossenses, Difusora Bíblica, 1932-1933). Neste texto, que dá início ao chamado «Evangelho de Paulo», o autor, a partir da sua experiência pessoal, traça um retrato do verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, numa situação concreta de sofrimento, «em vez de se deixar entristecer ou abater pelos seus sofrimentos, põe a sua alegria em Cristo, que vive nele, e dedica-se totalmente à Igreja de Cristo. A união pessoal de Paulo com Cristo é personificada em cada um dos cristãos» (Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 24 do primeiro capítulo da Carta aos Colossenses, Difusora Bíblica, 1932). Ao contrário do que possa parecer (através duma leitura rápida e apressada), a frase de Paulo não afirma que a Paixão de Jesus Cristo está incompleta, precisando, portanto, da nossa ação para se completar. Essa era precisamente a falsa doutrina que Paulo quis rebater nesta Carta. A sua intenção é afirmar que não há nada a acrescentar ao Evangelho. Mas, porque somos membros do Corpo de Cristo, podemos associar (unir) os nossos sofrimentos à Paixão de Jesus Cristo. Assim, o cristão torna-se uma reprodução mística de Jesus Cristo.

Unção dos Enfermos

Uma designação válida (e oportuna) para referir este Sacramento é «Santa Unção» (a fórmula sacramental começa assim: «Por esta santa Unção»). Esta terminologia aparece nos textos do Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes. Desta forma, exprime-se a maior amplitude do Sacramento. Ao dizer «Unção dos Enfermos» pode-se levar a uma associação exclusiva às situações de doença. Ora, a graça sacramental não se confina às situações de enfermidade. A Santa Unção pode ser celebrada com os idosos ou antes de uma intervenção cirúrgica (cf. Ritual Romano da Unção e Pastoral dos Doentes. Preliminares, 8-15). Por isso, é importante que «na catequese, tanto individual como familiar, instruam-se os fiéis para que eles próprios peçam a Unção e se aproximem em tempo oportuno a recebê-la com plena fé» (Ritual..., 13). Infelizmente, ainda há muitos que «têm medo deste Sacramento e adiam-no para o fim, porque pensam tratar-se de uma espécie de ‘sentença de morte’. O contrário é que está certo: a Unção dos Enfermos é uma espécie de ‘seguro de vida’. Quem, como cristão, acompanha um doente deve libertá-lo deste falso temor. A maior parte das pessoas que estão em risco tem a intuição de que nada mais é importante nesse momento que se apertarem imediata e incondicionalmente Àquele que superou a morte e é a própria Vida: Jesus, o Salvador» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 245).

União à Paixão de Cristo

A doença e o sofrimento «fazem parte da nossa condição humana [...]. Embora Deus permita a existência do sofrimento no mundo, certamente não se alegra com isto. De facto, nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, amava os doentes, dedicou grande parte do seu ministério na terra à cura dos doentes e ao consolo dos aflitos. O nosso Deus é um Deus de compaixão e de consolação. E espera de nós que usemos todos os meios ordinários para impedir, aliviar e eliminar o sofrimento e a doença. [...] Contudo, ainda depois de todos estes esforços, o sofrimento e a doença existem. O cristão vê um significado no sofrimento. Suporta este sofrimento com paciência, amor de Deus, e generosidade. [...] Quando o sofrimento está unido à Paixão de Cristo e à sua morte redentora, então adquire grande valor para a pessoa, para a Igreja e para a sociedade» (João Paulo II, Discurso durante a visita aos doentes, 13 de fevereiro de 1982).

«A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao humano que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz» (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé — «Lumen Fidei», 57).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Anónimo | 1.5.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [28]


«A doença e o sofrimento estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem a vida humana. [...] A doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1500-1501). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Mateus 4, 23-25; Catecismo da Igreja Católica, números 1499 a 1513]

«Curando entre o povo todas as doenças e enfermidades»

— refere o evangelista (Mateus) ao resumir a atividade de Jesus Cristo, na Galileia. Juntamente com a pregação, este é um dos traços característicos de Jesus Cristo: aproxima-se dos doentes, conversa com eles, conforta-os, cura-os, perdoa-lhes os pecados. Desta forma, Jesus Cristo mostra que a doença não era um castigo de Deus, como muitos afirmavam (infelizmente, ainda há quem o diga, mesmo alguns que se dizem cristãos!). «No Antigo Testamento, a doença foi frequentemente experienciada como uma dura prova, contra a qual se podia rebelar, mas em que se podia reconhecer a mão de Deus. Já com os profetas emergiu a ideia de que o sofrimento não é apenas uma maldição e nem sempre uma consequência de um pecado pessoal, e que uma pessoa também pode ser para os outros um sofrimento assumido com paciência. Jesus veio para revelar o amor de Deus. Frequentemente o fez onde nos sentimos especialmente ameaçados: na fragilidade da nossa vida, através da doença. Deus quer que nos tornemos saudáveis, reconhecendo nisso a vinda do Reino de Deus» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 240-241).

Unção dos Enfermos

«A Igreja continuou a cuidar dos doentes em todas as dimensões, e também celebrando com eles este sacramento da Unção, dando-lhes a força e a graça na sua debilidade. Em séculos sucessivos, sobretudo a partir do século IX, deslocou-se o sentido deste sacramento: em vez de ser a graça curativa a aliviadora para os doentes, começou a considerar-se como sacramento dos moribundos, e passou a chamar-se ‘Extrema-Unção’» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 303). Felizmente, o II Concílio do Vaticano, através da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia — «Sacrosanctum Concilium» — determinou uma reforma deste sacramento, assim como a alteração do nome para «Unção do enfermos» (cf. números 73 a 75). Seguindo estas orientações, surgiu o Ritual da Unção e Pastoral dos Doentes. Esta mudança de nome não é uma simples troca de palavras ou de conceitos. O objetivo é ajudar a entender, a celebrar e a viver melhor este sacramento. «Até há pouco tempo (e em alguns lugares ainda hoje), quando o sacerdote ia ungir um doente, era sinal de que já não havia esperança. Ele ia para despedir aquela pessoa para a eternidade. [...] E muita gente, ainda hoje, espera que o doente esteja ‘nas últimas’. [...] É bom insistir que este Sacramento é dos enfermos e não dos moribundos» (José Bortolini, «Os Sacramentos na tua vida», São Paulo, Lisboa 1995, 97).

Conforto e paz

«A graça especial do sacramento da Unção dos Enfermos tem como efeitos: [...] o conforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice» (CIC 1532). Este é um dos significados da unção com o óleo: «exprime cura e conforto» (CIC 1294). Na verdade, um dos significados da simbologia da unção era ser «sinal de cura, pois amacia as contusões e as feridas e torna radiante de beleza, saúde e força» (CIC 1293). Neste sentido, os textos usados na celebração deste sacramento «apresentam-no como o encontro sacramental com Cristo médico e pastor, que está próximo e continua a curar, aliviando e libertando do mal» (DEL 303). No entanto, para que se alcance este objetivo da graça sacramental (conforto e paz), o doente (e também os que o rodeiam) precisa de «entrar na aceitação da sua impotência e limitação» (Enzo Bianchi e Luciano Manicardi, «Ao lado do doente. O sentido da doença e o acompanhamento dos doentes», Coleção «Cuidar e Curar», ed. Paulinas, Prior Velho, 2012, 21).

«O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso. [...] É preciso chamar o sacerdote para junto do doente e dizer: ‘venha, dê-lhe a unção, abençoe-o’. É o próprio Jesus que chega para aliviar o doente, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar; também para lhe perdoar os pecados. E isto é muito bonito!» (Francisco, Audiência Geral de 26 de fevereiro de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.4.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [23]


«Através dos Sacramentos da Iniciação Cristã, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, o ser humano recebe a vida nova em Cristo. Pois bem, todos nós sabemos que trazemos esta vida ‘em vasos de barro’ (2Coríntios 4, 7), ainda estamos submetidos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, até podemos perder a nova vida. Por isso, o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também a favor dos próprios membros, em particular com os Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos, que podem ser unidos sob o nome de ‘Sacramentos de Cura’» (Francisco, Audiência Geral de 19 de fevereiro de 2014). [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Coríntios 4, 6-11); Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1420 e 1421]

«Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro»

— escreve Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. Com esta expressão, Paulo pretende transmitir a fragilidade do ser humano, mas também a força do Evangelho. «O barro — sabemo-lo muito bem — é um material muito frágil, além de não ser limpo e valer pouco. Não tem a qualidade do ouro ou dos outros materiais preciosos. Paulo sente-se um vaso de barro: sabe que é fraco, tem defeitos e limites humanos, mas sabe também que Deus depositou nas suas mãos um grande tesouro e o enviou a levar a todos a riqueza do Evangelho» (Fernando Armellini, «O banquete da Palavra. Ano B», Paulinas, Lisboa 1996, 287). Por isso, como sugere Paulo, as dificuldades e as limitações próprias da nossa condição humana, não podem ser um motivo para o desencorajamento; antes, podem (e devem) ser uma oportunidade para revelar a força que nos vem de Deus, através de Jesus Cristo. Força, essa, que reconhecemos presente na graça sacramental.

Sacramentos

«Os sacramentos são sinais, gestos instituídos, ao menos em gérmen, por Cristo, e entregues à Igreja que os desenvolveu ao longo dos tempos. São encontros marcados por Cristo na nossa vida. Encontros para as diversas realidades ou situações que o ser humano vive durante a vida, desde o nascimento até à morte» (José Ribólla, «Os Sacramentos trocados em miúdo», Editora Santuário, Aparecida 1990, 211). [Explicamos o significado do termo «sacramento» nos temas 6 e 7].

Cura

A vida humana está marcada pela sua própria fragilidade e por um conjunto de condicionalismos que a envolvem tanto do ponto de vista pessoal como comunitário (social). Por isso, embora os Sacramentos da Iniciação Cristã nos façam mergulhar na vida divina, temos, em determinados momentos da existência, necessidade de «recuperar» a graça que recebemos pelos Sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Do ponto de vista sacramental, a graça é-nos devolvida através dos Sacramentos de Cura, que são a Reconciliação (ou Penitência) e a Unção dos Doentes (ou Enfermos). Estes Sacramentos de Cura «socorrem a pessoa na sua fragilidade, na condição de pecado e na doença, atingindo-a com o poder curativo da graça divina na profundidade do coração e transformando as relações em que ela se exprime. Através destes sacramentos, o Senhor Jesus, verdadeiro médico celeste, continua, por intermédio da Igreja, a Sua obra de cura e de salvação. [...] A vida divina atinge e transforma o coração dos seres humanos na variedade das situações, em que se situa e desenvolve a sua existência. Por estes sacramentos, a eternidade monta as suas tendas na transitoriedade do tempo, e a história de Deus vem visitar e habitar o êxodo incessante da condição humana. O único e definitivo evento pascal do Crucificado Ressuscitado, em que se realizou, de uma vez por todas, a nossa reconciliação, atualiza-se no gesto da Igreja. E, assim, torna-se profundamente verdade que a graça faz-se história e a história participa da eternidade do Deus vivo. Se todos os sacramentos constituem a porta de entrada da eternidade no tempo e do tempo na eternidade (a ‘carne’ por que passa o Espírito), pode-se afirmar, em especial, que nos sacramentos da cura se manifesta, de maneira mais intensa e misericordiosa, a companhia do Deus vivo junto do ser humano, que se encontra mergulhado na complexidade e vergado ao peso do devir histórico» (Bruno Forte, «Introdução aos Sacramentos», Gráfica de Coimbra, Coimbra 1997, 99-101).

«Queridos amigos, não há força alguma ou poder capaz de deter o amor de Deus por vós. [...] Todavia, não há doença, fraqueza ou enfermidade que possam privar-vos da vossa dignidade de filhos de Deus, de irmãos e irmãs de Jesus Cristo» (João Paulo II, Discurso proferido a 28 de maio de 1982).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.3.14 | Sem comentários
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