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Mistério da fé! [36]


Os sinais e símbolos (cf. tema 3) ocupam um lugar importante no contexto da vida humana; o mesmo acontece no contexto litúrgico. Por isso, dedicamos este tema à explicação dos sinais e símbolos associados ao Sacramento da Ordem. [Para ajudar a compreender melhor, ler: 2Timóteo 1, 6-11; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1581 a 1600]

«Reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, 

pela imposição das minhas mãos»

— escreve Paulo na Segunda Carta a Timóteo. «A recomendação principal é a de reacender a sua missão, designada como um dom (carisma), concedido pela imposição das mãos. Possivelmente, não estamos ainda perante um rito de ordenação ministerial, mas não se deixa de acentuar o papel de Paulo na missão de Timóteo» (Bíblia Sagrada, Nota ao texto da Segunda Carta a Timóteo [capítulo 1, versículo 6], Difusora Bíblica, 1960).

Imposição das mãos e oração consecratória

A imposição das mãos (cf. tema 15) é um dos gestos mais significativos, está presente em todos os sacramentos, «e, sobretudo, na ordenação de diáconos, presbíteros e bispos, em que o gesto é precisamente o sinal central, juntamente com as palavras do bispo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 141). Além dos sinais e símbolos próprios de cada um dos «graus», «o sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos, seguida duma solene oração consecratória, que pede a Deus para o ordinando as graças do Espírito Santo, requeridas para o seu ministério. A ordenação imprime um caráter sacramental indelével» (CIC 1597). O mesmo referem os Preliminares Gerais do Ritual da Ordenação do Bispo, dos Presbíteros e dos Diáconos: «A imposição das mãos e a Oração de Ordenação são o elemento essencial de qualquer Ordenação. Nele, a própria oração de bênção e de invocação determina a significação da imposição das mãos. Dado que estes ritos constituem o centro da Ordenação, devem ser inculcados pela formação catequética e realçados pela própria celebração» (número 7).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Bispo

«Pela imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do ordinando, enquanto é proferida a Oração de Ordenação, e bem assim pela sua entrega nas mãos do Ordenado, manifesta-se que o principal ministério do Bispo é a pregação fiel da palavra de Deus; pela unção da cabeça é significada a participação peculiar do Bispo no sacerdócio de Cristo; pela entrega do anel, indica-se a fidelidade do Bispo para com a Igreja, esposa de Deus, pela imposição da mitra, a incessante procura da santidade e pela entrega do báculo pastoral, o múnus de governar a Igreja que lhe é confiada. Pelo ósculo da paz, que o Ordenado recebe de todos os Bispos, como que se põe a marca da sua aceitação no Colégio dos Bispos» (Preliminares..., 26).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Presbítero

«A seguir à Oração de Ordenação, os Ordenados são revestidos com a estola presbiteral e a casula, pelas quais é manifestado exteriormente o ministério que a partir de agora realizam na liturgia. Este ministério é ainda mais explicitado por outros sinais: pela unção das mãos, significa-se a participação peculiar dos presbíteros no sacerdócio de Cristo; pela entrega do pão e do vinho nas suas mãos, indica-se o múnus de presidirem à celebração da Eucaristia e de seguirem a Cristo crucificado. Pelo ósculo da paz, o Bispo como que põe a marca da aceitação dos seus novos cooperadores no respetivo ministério, e os presbíteros saúdam os Ordenados em sinal do ministério comum na sua Ordem» (Preliminares..., 113).

Sinais e símbolos próprios da ordenação do Diácono

«A seguir à oração de Ordenação, os Ordenados são revestidos com a estola diaconal e a dalmática, pelas quais é manifestado exteriormente o ministério que a partir de agora realizam na liturgia. Pela entrega do livro dos Evangelhos, indica-se a função de proclamarem o Evangelho nas celebrações litúrgicas e de pregarem a fé da Igreja por palavras e obras. Pelo ósculo da paz, o Bispo como que põe a marca da aceitação dos diáconos no seu ministério, e os diáconos saúdam os Ordenados em sinal do ministério comum na sua Ordem» (Preliminares..., 188).

«O Sacramento da Ordem é uma configuração com Cristo pela intervenção do Espírito. [...] Bispo, presbítero e diácono, todos três recebem o Espírito Santo de modo especial. É Ele quem lhes fornece os meios necessários ao seu ministério» (Godfried Danneels, «A alegria de uma pertença», ed. Lucerna, Cascais 2014, 110-111).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [35]


O Sacramento da Ordem associa a si aspetos que devem ser tidos em conta, na preparação, na celebração e até depois da celebração. Quem, como, quando e onde — são questões que sintetizam alguns desses pontos. [Para ajudar a compreender melhor, ler: João 15, 9-17; Catecismo da Igreja Católica (CIC), números 1572 a 1580]

«Fui eu que vos escolhi e vos destinei a ir e a dar fruto»

— proclama Jesus Cristo de acordo com o relato do evangelho segundo João. Estas palavras são proferidas no contexto da Última Ceia, no chamado «discurso da despedida». A iniciativa do discipulado parte do próprio Jesus Cristo. Os discípulos foram escolhidos para dar fruto, para dar testemunho da sua fé, mediante as obras do amor fraterno. Esta é a sua missão. No contexto deste tema, esta é a missão daqueles que são chamados para o ministério episcopal, presbiteral ou diaconal.

Quem pode ser admitido ao Sacramento da Ordem?

«É admitido à Ordem do Diaconado, do Presbiterado e do Episcopado qualquer homem batizado e católico que a Igreja chamar a esse ministério» (Catecismo Jovem da Igreja Católica [YOUCAT], 256). Por isso, «ninguém tem direito a receber o sacramento da Ordem. Com efeito, ninguém pode arrogar-se tal encargo. É-se chamado a ele por Deus. Aquele que julga reconhecer em si sinais do chamamento divino ao ministério ordenado, deve submeter humildemente o seu desejo à autoridade da Igreja, à qual incumbe a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber as Ordens. Como toda e qualquer graça, este sacramento só pode ser recebido como um dom imerecido» (CIC 1578).

Quem pode presidir ao Sacramento da Ordem?

«Pertence aos bispos o direito de conferir o sacramento da Ordem nos seus três graus» (CIC 1600).

Como se celebra o Sacramento da Ordem?

«O rito essencial do sacramento da Ordem é constituído, para os três graus, pela imposição das mãos, por parte do bispo, sobre a cabeça do ordinando, bem como pela oração consecratória específica, que pede a Deus a efusão do Espírito Santo e dos seus dons apropriados ao ministério para que é ordenado o candidato» (CIC 1573). O rito da ordenação do bispo, do presbítero ou do diácono foi sendo estruturado ao longo dos tempos com a introdução de elementos e textos, como aconteceu com todos os rituais sacramentais. Atualmente, como já referimos noutros sacramentos, existem algumas diferenças rituais e normativas entre o rito oriental (grego) e o rito ocidental (latino). «No Ritual, depois da Liturgia da Palavra, há, antes de mais, toda uma série de gestos simbólicos preparatórios, como o chamamento e apresentação dos candidatos, a homilia, as promessas dos eleitos, a ladainha da comunidade orando por eles; vem então o gesto central e a oração consecratória; e, depois, uns ritos que explicitam algum dos aspetos do sacramento recebido, diversos segundo a diversidade de ordens, com unções, imposição do livro dos Evangelhos sobre a cabeça do Bispo, entrega de instrumentos, insígnias e vestes distintivas, gestos que ilustram o ministério que tem de exercer em favor da comunidade» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 211).

Quando se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

Sempre e apenas quando estiverem reunidas as condições determinadas pela Igreja Católica. Além do que já se explicitou nas respostas anteriores (cf. também os temas 33 e 34), para conhecer e/ou aprofundar as normas próprias de cada «grau» recomenda-se a consulta do Código de Direito Canónico [versão em língua portuguesa disponível na internet: http://bit.ly/18Dxmwl].

Onde se pode celebrar o Sacramento da Ordem?

«A celebração da ordenação dum bispo, de presbíteros ou de diáconos, dada a sua importância na vida duma Igreja particular, requer o concurso do maior número possível de fiéis. Terá lugar, de preferência, ao domingo e na Sé catedral, com solenidade adequada à circunstância. As três ordenações – do bispo, do presbítero e do diácono – seguem o mesmo esquema. O lugar próprio de sua celebração é dentro da liturgia eucarística» (CIC 1572). Compete ao Bispo decidir sobre o local mais oportuno para a celebração, conforme as circunstâncias.

«Uma iniciativa que o Senhor toma. É o Senhor que chama. [...] Talvez aqui haja alguns jovens que sentiram no seu coração este apelo [...]. Se algum de vós sentiu isto no seu coração, foi Jesus que o pôs ali. Esmerai-vos por este convite e rezai a fim de que ele prospere e dê frutos na Igreja inteira» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Anónimo | 12.6.14 | Sem comentários

Mistério da fé! [34]


«Desde as origens, o ministério ordenado fui conferido e exercido em três graus: o dos bispos, o dos presbíteros e o dos diáconos» (Catecismo da Igreja Católica [CIC], 1593). Neste tema, vamos explicitar cada um dos «graus» do Sacramento da Ordem: bispo (episcopado), presbítero (presbiterado) e diácono (diaconado). [Para ajudar a compreender melhor, ler: Tito 1, 5-9; Catecismo da Igreja Católica, números 1554 a 1571]

«Colocares presbíteros em cada cidade»

— escreve Paulo na Carta a Tito, ao referir a necessidade de organizar as comunidades. Nos primeiros anos, «parece não existir ainda uma distinção clara entre as ordens de ministério» (Bíblia Sagrada, Nota ao versículo 5 da Carta a Tito, Difusora Bíblica, 1966). Mas as referências que surgem em vários textos do Novo Testamento permitem delinear as bases do que serão os três «graus» do Sacramento da Ordem.

Bispos

«A palavra ‘bispo’ vem do grego, ‘epi’ (sobre), e ‘skopos’, ‘skopein’ (vigiar, inspecionar): significaria, portanto, etimologicamente, guardião, inspetor. Nas primeiras comunidades paulinas, são assim denominados, quer Timóteo quer Tito (cf. 1Timóteo 3, 1-7; Tito 1, 7-9). Os bispos, sucessores dos Apóstolos, foram constituídos como princípios de fé e unidade na comunidade diocesana, como sacramentos visíveis da presença de Jesus Cristo no meio do seu povo» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia» [DEL], ed. Paulinas, Prior Velho, 2007, 54). A Constituição Dogmática sobre a Igreja («Lumen Gentium» [LG]), dedica o terceiro capítulo ao Sacramento da Ordem, tendo por base a figura do bispo. Este é apresentado como «sucessor dos Apóstolos» (LG 20) para ensinar (LG 25), santificar (LG 26) e governar (LG 27). A ordenação episcopal é a «plenitude do Sacramento da Ordem» (LG 21).

Presbíteros

«‘Presbítero’ vem do grego, ‘presbyter’, que significa ‘ancião’, e se relaciona com o nome dado, pelos primeiros cristãos, aos encarregados da comunidade. Os presbíteros são ordenados como colaboradores dos bispos» (DEL 237-238). As comunidades cristãs («Igrejas») eram constituídas por pequenos grupos, núcleos familiares, que se reuniam nas próprias casas para celebrar a «fração do pão» (eucaristia). «No século II, surgiu uma estrutura ministerial em que um ‘episkopos’ ou supervisor era ordenado para servir como líder de cada comunidade e para presidir à sua vida de oração. Era assistido por presbíteros ou anciãos, e por diáconos. Quando o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano, tudo isto mudou, necessariamente. As comunidades cristãs passaram a ser maiores, sendo organizadas à escala dos territórios do império: em dioceses, regiões metropolitanas e províncias. Já não era possível ao ‘episkopos’, ou bispo, reunir todos os cristãos da Igreja local debaixo do mesmo teto para uma única celebração, nem sequer na basílica local, o maior edifício público disponível. Em breve tampouco lhe era possível visitar todas as comunidades da sua diocese. Em vez disso, delegava presbíteros para celebrar os sacramentos, como seus representantes, nas paróquias recém-organizadas» (Catherine E. Clifford e Richard R. Gaillardetz, «As ‘chaves’ do Concílio», Paulinas Editora, Prior Velho, 2012, 179-180).

Diáconos

«Em grego, significa ‘servidor’. [...] Nos textos do Novo Testamento e dos primeiros séculos já são mencionados os diáconos, entre os pastores da comunidade cristã, colaborando com os bispos e presbíteros. [...] O II Concílio do Vaticano restabeleceu o diaconado ‘como grau próprio ou permanente’, no ministério eclesial, distinto do que se recebe como primeiro degrau para o sacerdócio. O diaconado permanente, que se tinha perdido por volta do século IX, e que agora se restabeleceu, podem-no receber também os casados. [...] Os campos do serviço diaconal, na comunidade cristã: a) a liturgia, na qual assistem ao presbítero ou ao bispo na proclamação do Evangelho, na distribuição da Eucaristia e na direção da oração comunitária; podem presidir ao sacramento do Batismo e assistir e abençoar o Matrimónio; b) a Palavra, que proclamam e às vezes comentam na homilia, sendo também os coordenadores da catequese e da evangelização; c) a caridade, cuidando da beneficência e da administração comunitária» (DEL 97-98).

«O bispo, o presbítero e o diácono devem apascentar a grei do Senhor com amor. Se não o fizerem com amor é inútil. E neste sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fizerem com o poder do Espírito Santo, em nome de Deus e com amor» (Francisco, Audiência Geral de 26 de março de 2014).






Reflexões semanais sobre a «fé celebrada» (liturgia e Sacramentos) — Laboratório da fé, 2014
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.6.14 | Sem comentários
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