Mostrar mensagens com a etiqueta Pentecostes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pentecostes. Mostrar todas as mensagens

CELEBRAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES


Não celebramos um desconhecido! É uma força, uma luz, um fogo, uma rajada de vento! De facto, é precisamente através do seu dinamismo, da sua ação, que o podemos reconhecer: transforma os Apóstolos em testemunhas e os ouvintes em admiradores maravilhados (primeira leitura); é o sopro criador (salmo); faz-nos produzir os frutos da vida divina recebida no batismo (segunda leitura); é a luz do Ressuscitado que nos conduz na verdade (evangelho). É o Espírito Santo!

«Começaram a falar outras línguas»
Na Ascensão, Jesus Cristo promete a vinda do Espírito Santo. Agora, cumpre-se a promessa de uma forma que supera todas as expectativas: imprevista e surpreendente. A narração do livro dos Atos dos Apóstolos explica-a desta forma: «um rumor semelhante a forte rajada de vento, […] uma espécie de línguas de fogo […], começaram a falar outras línguas».
Do ponto de vista da fenomenologia, Pentecostes é uma festa judaica e cristã. Em ambos os casos, está associada a «cinquenta dias» (o significado de «Pentecostes» em grego): para os judeus, é a «festa das colheitas», no início do verão; para os cristãos, assinala o dom do Espírito Santo, o culminar da presença de Jesus Cristo, depois das aparições pascais.
Do ponto de vista da Igreja nascente, Pentecostes é o início da missão em toda a costa mediterrânea. Os judeus que tinham ido a Jerusalém, por causa de uma das três festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Tendas), voltam aos seus lugares de origem; muitos deles comunicam as novidades trazidas de Jerusalém: a Páscoa e o dom do Espírito Santo.
Do ponto de vista da Bíblia, tomada como uma só Aliança, a única que Deus faz com o ser humano, Pentecostes supõe a oposição a Babel. Em Babel, o pecado provoca a dispersão dos povos (diversidade de línguas); no Pentecostes, o Espírito promove a união (apesar de serem de povos distintos, todos se entendem). Babel é desunião; Pentecostes é comunhão. Babel é falar a língua da oposição; Pentecostes é falar a língua do amor. Babel é a oposição que produz rutura; Pentecostes é a unidade na diversidade. A Igreja só pode buscar um novo Pentecostes; nunca uma nova Babel.
Ninguém é excluído do dom do Espírito Santo: primeiro, «todos [os Apóstolos] ficaram cheios do Espírito Santo»; depois, «cada qual os ouvia falar na sua própria língua» (eram pessoas provenientes da diáspora greco-romana). O que acontece durante o Pentecostes não é uma experiência mística interior, mas uma manifestação do poder de Deus que toca a vida de cada pessoa: evangelizadores e evangelizados.

Pentecostes é o final de uma etapa e início de outra. Jesus Cristo oferece o Espírito Santo; a Igreja acolhe-o e celebra-o. Assim, começa um novo caminho de evangelização e de presença no meio das pessoas, movidos não pelo espírito da concorrência e da oposição, mas sob o espírito do diálogo e da escuta do Espírito Santo. «Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a ação corre o risco de ficar vã e o anúncio, no fim de contas, carece de alma» (EG 259).

© Laboratório da fé, 2015

Celebrar o domingo oitavo de Páscoa — Pentecostes (Ano B), no Laboratório da fé, 2015


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.5.15 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES


Tanto o livro dos Atos dos Apóstolos (primeira leitura) como o evangelho do oitavo domingo de Páscoa (Ano A) mostram-nos a primeira comunidade de seguidores de Jesus como um grupo e gente com medo: fechados e temerosos. Um acontecimento novo vai mudar essencialmente a situação. A vinda do Espírito Santo converterá o medo em paz, em alegria, em generosidade no perdão, em ousadia na pregação, na utilização de uma linguagem compreendida por todos... É a resposta de Jesus à sua promessa de nunca nos deixar sozinhos.
Pentecostes é um grito de esperança, de unidade, de audácia sadia. O Espírito reparte os seus dons — também hoje — para o bem comum: da comunidade eclesial e da sociedade em geral (segunda leitura). Todos e cada um/a somos chamados a participar deste festival do Espírito.
Não podemos ignorar este chamamento pessoal e, sobretudo, eclesial de colocar todos os nossos dons — pelo facto de ser dons, recebidos — a trabalhar, abandonando medos que já não fazem sentido. O Evangelho de Jesus é «Boa Nova» para a Humanidade, para todos. A sua mensagem, a sua maneira de entender as relações humanas e a relação com Deus é o melhor que o mundo pode imaginar. E não estamos sozinhos nesta tarefa.

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014



La biblia compartida — www.laboratoriodafe.net


Javier Velasco-Arias, nasceu no ano de 1956, em Medina del Campo (Espanha); atualmente, vive em Barcelona (desde os onze anos de idade). É biblista, professor de Sagrada Escritura no «Instituto Superior de Ciências Religiosas de Barcelona» e no «Centro de Estudos Pastorais» das dioceses da Catalunha. É responsável e membro de várias associações bíblicas, em Espanha. Na área bíblica, é autor de diversas publicações, além de artigos de temas bíblicos em revistas especializadas e na internet.
Outros artigos publicados no Laboratório da fé


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Pentecostes é comunhão


O texto no seu contexto
. Do ponto de vista fenomenológico (História das Religiões), Pentecostes é uma festa judaica e cristã. Em ambos os casos te que ver com «cinquenta dias» (é o que significa Pentecostes em grego). Para os judeus, é a festa das colheitas no início do verão; para os cristãos, marca o dom do Espírito Santo culminando a presença de Jesus entre nós depois das suas aparições pascais. Do ponto de vista da expansão da Igreja, Pentecostes é o início da missão do cristianismo por toda a costa mediterrânea. Os judeus que tinham ido a Jerusalém por causa de uma das três festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Tendas) voltam aos seus lugares de origem (multidão de povos e regiões); muitos deles comunicam as novidades de Jerusalém: o acontecimento cristão, a Páscoa e o dom do Espírito.

O texto na história da salvação. Do ponto de vista da Bíblia, tomada a Escritura como uma só Aliança, a única que Deus faz com o ser humano, Pentecostes supõe a oposição a Babel. Em Babel, o pecado provoca a dispersão dos povos (diversidade de línguas); no Pentecostes, o Espírito convoca, congrega, une (apesar de serem de povos distintos, todos se entendem). Pentecostes é comunhão; Babel é desunião. Pentecostes é falar a língua do amor; Babel é falar a língua da oposição. Pentecostes é a unidade na diversidade; Babel é a oposição que leva à rutura. A Igreja só pode buscar um novo Pentecostes; nunca uma nova Babel.

Palavra de Deus para nós: sentido e celebração litúrgica. Pentecostes é final de uma etapa e início de outra. Jesus prometeu o seu Espírito; a Igreja acolhe-o e celebra-o. A Igreja começa um novo caminho de evangelização e de presença no meio das pessoas, movida não pelo espírito da concorrência, da oposição e da subjugação, mas sob o espírito do diálogo, da comunhão e e da escuta do Espírito Santo.

© Pedro Fraile Yécora, Homiletica
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Evangelho segundo João 20, 19-23

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».



Por todo o mundo


O Senhor Ressuscitado faz com que não tenhamos medo e que vivamos com alegria o nosso ser cristãos, suas testemunhas por todo o mundo. «Recebei o Espírito Santo». Recebei o Espírito para voar, para sonhar, para transformar, para colorir a vida e ensinar a olhar com os olhos do Ressuscitado.
Uma Igreja alegre, animada pelo ar do Espírito, que nos empurra, que nos leva daqui para ali, não nos deixa estáticos, mas num contínuo dinamismo. Uma Igreja que é a família dos que partilham a fé no Ressuscitado.
Uma Igreja que não se fixa nos critérios do mundo, da terra, mas que é Igreja que se «eleva» sobre os interesses e as limitações humanas. Ao mesmo tempo, é uma Igreja incarnada e solidária com os que mais sofrem, mas levada pelas asas do Espírito. Uma Igreja no Norte e no Sul, no campo e na cidade, que não fica parada perante os que pedem auxílio afogados pelas diferenças e pelas injustiças, seguindo o exemplo daquele que foi trespassado pelo amor e nos continua a enviar a tantos trespassados da nossa terra.
Envia-nos o teu Espírito, para não nos esquecermos dos pobres e dos humildes, daqueles que levam no seu coração o selo do teu amor.

© Kamiano
© desenho de Patxi Velasco Fano — texto de Fernando Cordero
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor


Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014


Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO OITAVO DE PÁSCOA — PENTECOSTES

8 DE JUNHO DE 2014


Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».



Ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas


Estamos perante a narração de uma vida nova: imprevista, surpreendente e irresistível. A história explica-a destacando que se trata de uma realidade prodigiosa: um ruído do céu como um vento impetuoso, um fogo que desce do céu, uma linguagem transformada...
Não é acidental que o nascimento da Igreja, essa grande colheita de pessoas, aconteça nesta data. No Antigo Testamento, Pentecostes assinalava o final das colheitas da primavera. Os israelitas fiéis louvavam a Deus e pediam-lhe a sua graça e generosidade.
Na ascensão de Jesus promete-se por duas vezes a vinda do Espírito. Aqui esta promessa chega ao cumprimento de uma maneira que supera as expectativas dos discípulos mais fiéis. Pentecostes é vida nova para a Igreja e para as pessoas que a formam, através do Espírito de Deus.
Ninguém é excluído desta mostra da graça de Deus. Na Transfiguração, por exemplo, só um pequeno grupo tinha sido testemunha da manifestação de Deus, mas aqui ninguém fica à margem. E um momento mais tarde, a multidão «ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua»; eram pessoas provenientes de todo o mundo da diáspora greco-romana. O que acontece durante o Pentecostes não é uma experiência mística interior, mas uma manifestação do poder de Deus que toca cada pessoa que está presente.

© Joan Ferrer, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2014
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

Preparar o domingo oitavo de Páscoa - Pentecostes (Ano A), no Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 7.6.14 | Sem comentários

NÃO PODEMOS VIVER SEM O DOMINGO!


«Valorizar o domingo como centro de todo o ano litúrgico» — é o primeiro objetivo apresentado no programa pastoral (2013+14) da Arquidiocese de Braga. Com o intuito de «valorizar» o domingo, acompanhando os tempos litúrgicos, propomos um tema a partir da releitura da Carta Apostólica sobre a santificação do domingo — «O dia do Senhor» («Dies Domini»). Este itinerário tem como tema geral: «Não podemos viver sem o domingo!».

Domingo, DIA DA RESSURREIÇÃO

Texto de reflexão para o oitavo domingo de páscoa – pentecostes

    28. O domingo poderia chamar-se também, com referência ao Espírito Santo, dia do «fogo». A luz de Cristo, de facto, liga-se intimamente com o «fogo» do Espírito, e ambas as imagens indicam o sentido do domingo cristão. Mostrando-Se aos Apóstolos no entardecer do dia de Páscoa, Jesus soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos». A efusão do Espírito foi o grande dom do Ressuscitado aos seus discípulos no domingo de Páscoa. Era também domingo, quando, cinquenta dias após a ressurreição, o Espírito desceu como «vento impetuoso» e «fogo» sobre os Apóstolos reunidos com Maria. O Pentecostes não é só um acontecimento das origens, mas um mistério que anima perenemente a Igreja. Se tal acontecimento tem o seu tempo litúrgico forte na celebração anual com que se encerra o «grande domingo», ele permanece também inscrito, precisamente pela sua íntima ligação com o mistério pascal, no sentido profundo de cada domingo. A «Páscoa da semana» torna-se assim, de certa forma, «Pentecostes da semana», no qual os cristãos revivem a experiência feliz do encontro dos Apóstolos com o Ressuscitado, deixando-se vivificar pelo sopro do seu Espírito.



    • Não podemos viver sem o domingo! — textos publicados no Laboratório da fé > > >



    Laboratório da fé celebrada, 2014
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 6.6.14 | Sem comentários

    Esta é a nossa fé [30]


    Reflexão semanal 
    sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

    O «Credo» tem uma estrutura trinitária: divide-se em três partes, cada uma delas correspondendo a uma das Pessoas da Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo. Por isso, entramos agora no artigo dedicado ao Espírito Santo. Tal como os outros, também este começa com uma afirmação de fé: «Creio no Espírito Santo». [Para ajudar a compreender melhor, ler: Atos dos Apóstolos 2, 1-13; Catecismo da Igreja Católica, números 683-688 e 692-701]

    «Todos ficaram cheios do Espírito Santo» — relata o livro dos Atos dos Apóstolos ao evocar o dom do Espírito Santo oferecido aos apóstolos. Era o dia de «Pentecostes», uma festa judaica (cf. Deuteronómio 16, 9-12; Números 28, 26-31) cujo nome foi adotado pelos cristãos para designar esta nova realidade: a presença do Espírito Santo na vida da Igreja, na vida dos seres humanos. O relato dos Atos dos Apóstolos é composto por duas partes: a descida do Espírito Santo (versículos 1 a 4) e a constatação do milagre das línguas (versículos 5 a 13). Há uma mudança de cenário entre as duas partes: do espaço interior (casa) passa-se para o exterior (cidade); do grupo dos discípulos passa-se para uma multidão composta por pessoas «provenientes de todas as nações que há debaixo do céu». Embora a primeira cena seja a mais conhecida e a mais preferida dos artistas, o narrador desenvolve mais a segunda, através da descrição dos comentários e das reações dos presentes. A primeira observação que podemos fazer é que o Espírito provoca a unidade. Primeiro, a unidade do dom: «Todos ficaram cheios do Espírito Santo». E depois a unidade do anúncio: «cada um os ouvia falar na sua própria língua». Assim, é apresentado o início da Igreja, fundada pelo dom do Espírito Santo, que, embora constituída por povos de todo o mundo, vive unida pela mesma fé.

    Creio. Ecoa de novo a afirmação de fé: «Creio» (cf. temas 1 e 7). «A palavra ‘Creio’ introduz-nos numa série de afirmações nas quais se sedimentou a memória de uma longa história de Deus com os seres humanos» (Dionigi Tettamanzi, «Esta é a nossa fé!», Paulinas, Prior Velho 2005, 21).

    No Espírito Santo. «Crer no Espírito Santo é professar que o Espírito Santo é um das pessoas da Santíssima Trindade» (Catecismo da Igreja Católica, 685). Apesar de ser o «último na revelação das pessoas da Santíssima Trindade», o Catecismo da Igreja Católica, a partir de duas citações das cartas paulinas (Primeira Carta aos Coríntios 12, 3 e Gálatas 4, 6), afirma que «este conhecimento de fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que vem ao nosso encontro e suscita em nós a fé. [...] O Espírito Santo, pela sua graça é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova» (números 683 e 684). Mas se há uma dificuldade em abordar a Trindade a partir do Pai e do Filho, parece ser ainda mais difícil fazê-lo a partir do Espírito Santo. «Quando São Paulo chega a Éfeso, os discípulos que encontra dizem-lhe que nunca ouviram falar do Espírito Santo. Será que se Paulo viesse falar às nossas comunidades, não escutaria a mesma resposta? A nossa ideia do Espírito é muito confusa. Não sabemos que nome dar-Lhe nem como O representar. Só as metáforas exprimem um aspeto das suas manifestações: é sopro, fogo, vento, pomba, água, selo...» (Rui Alberto, «Eu creio, Nós cremos. Encontros sobre os fundamentos da fé», ed. Salesianas, Porto 2012, 132). O Catecismo da Igreja Católica (números 694 a 701) apresenta uma explicação para cada um dos símbolos que exprimem a ação do Espírito Santo: água, unção, fogo, nuvem e luz, selo, mão, dedo e pomba. De facto, constatamos que é mais fácil falar do «como» é a experiência do Espírito Santo na vida do que tentar explicar «quem» é o Espírito Santo. «Jesus ao anunciar e prometer a vinda do Espírito Santo, chama-Lhe o ‘Paráclito’, que, à letra, quer dizer: ‘aquele que é chamado para junto’, ‘advocatus’» (Catecismo da Igreja Católica 692). Por isso, entre os nomes mais comuns para designar o Espírito Santo aparecem os termos «Paráclito», «Advogado», «Defensor» e «Consolador». Além dos nomes e dos símbolos associados ao Espírito Santo, a doutrina tradicional da Igreja Católica, refere também sete dons (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus) e doze frutos (Amor, Alegria, Paz, Paciência, Benignidade, Bondade, Longanimidade, Mansidão, Fé, Modéstia, Continência e Castidade).

    «Acreditar no Espírito Santo significa acreditar que Deus atua sem parar na história da humanidade. Ele nunca deixou de Se exprimir em palavras que podemos entender» (Rui Alberto, 132).

    © Laboratório da fé, 2013


    Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 23.5.13 | Sem comentários
    Ao ritmo da liturgia [no Ciclo C de Cortés (RD-Herder)]


    Pentecostes e sétima semana
    [anos ímpares]

    O mesmo Espírito que animou Jesus Cristo


    Durante o tempo pascal, recebemos conselhos para viver ao máximo a nossa vida cristã de ressuscitados (alimentação saudável, exercício, médico, psicólogo, atividade laboral). Agora, encerramos este etapa do ano, com um resumo de como viver cada dia com o mesmo Espírito de Jesus (DOMINGO: «Recebei o Espírito Santo»).
    Começaremos cada dia saindo do sonho e sintuando-nos na presença de Deus (SEGUNDA: Jesus tomou-o pela mão e levantou-o»); adotaremos de imediato a atitude de serviço (TERÇA: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos»); teremos consciência de todo o bem que nos rodeia (QUARTA: «Quem não é contra nós é por nós»): e praticaremos, durante todo o dia, a vida evangélica (QUINTA: «Vivei em paz uns com os outros»), motivados pelo próprio Evangelho, em cada caso particular que nos seja apresentado (SEXTA: «Pode um homem repudiar a sua mulher?»).
    Assim, dia a dia, com o sonho renovado de uma criança (SÁBADO: «Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele»).

    Por que não prestar atenção especial, esta semana, a analisar quanto de cristão há no nosso dia a dia e no nosso hora a hora?

    © José Luis Cortés — El ciclo C, Herder Editorial
    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor

    Pentecostes e Sétima semana no Laboratório da fé, 2013
    Postado por Anónimo | 20.5.13 | Sem comentários
    Espírito Santo na Igreja
    Para o leigo menos atento, o Pentecostes será sempre o dia em que umas línguas de fogo caíram sobre os apóstolos que passaram a falar outras línguas, esquecendo, ou ignorando, que o Pentecostes tem um significado muito mais profundo e abrangente. 
    A origem da Festa do Pentecostes perde-se na tradição judaica que celebrava a Festa das Semanas ou das Colheitas, durante a qual eram oferecidos ao templo os primeiros frutos da terra, em comemoração e acção de graças a Deus pela entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai, cinquenta dias depois do Êxodo. Estes festejos eram celebrados sete semanas depois da Páscoa, e a tradução grega haveria de lhe atribuir a actual designação de Pentecostes, que significa “quinquagésimo dia”. 
    Segundo os Actos, foi neste dia que os Apóstolos receberam o Dom do Espírito Santo que transformaria, em definitivo, a vida de doze homens simples que, depois de receberem a energia renovadora do fogo do Espírito, ganhariam a eloquência necessária para levar a Boa Nova a todos os povos e nações da terra. Nos dias de hoje, a Festa do Pentecostes que encerra o período Pascal, passa demasiado despercebida a muitos cristãos que se esquecem que o Pentecostes é uma das festividades mais importantes da Igreja, juntamente com o Natal e a Páscoa, porque será sempre o dia em que o Espírito Santo santificou a Igreja que emergia da obra redentora de Deus Pai, através do Filho, Jesus Cristo, e será sempre o dia em que nos foi revelada a Santíssima Trindade, origem, regaço e pátria da Igreja. 
    Por vezes, somos tentados a colocar estes acontecimentos demasiado longe de nós e perdidos na distância de mais de dois mil anos, esquecendo que a força do Espírito Santo, esteve sempre presente na Igreja, porque é na Trindade que se encontra a abertura para o Reino que Cristo anunciou. Assim sendo, será que os cristãos de hoje têm consciência que este mesmo Espírito Santo, que desceu sobre os Apóstolos, continua a ser imprescindível e está presente em todas as acções sacramentais, distribuindo a cada um os seus Dons Espirituais para o bem comum? E que fazemos nós desses Dons que recebemos gratuitamente? Será que os colocamos ao serviço dos outros, como uma verdadeira Igreja comunitária requer? 
    À semelhança da Trindade que existe em nós, a Igreja, enquanto comunidade, é (devia ser) uma permanente comunhão de relações em que os leigos (inteligentes) colocam ao serviço dos outros os Carismas recebidos do Espírito e que devem ser sempre usados para servir a comunidade e não para proveito próprio que, quantas vezes, leva à tentação do poder e da pretensão de “dominar”. 
    O trabalho dos leigos nas comunidades é fundamental, e se entendermos que as obrigações que nos são atribuídas são poucas, devemos impor-nos, a nós mesmos, outras obrigações que nos levem a ser mais participativos, diligentes e colaborantes na obra redentora a que a Igreja está “obrigada”. 
    Da intensa discussão em volta da questão - “Igreja Católica quem és tu” que o Cardeal Suenens apresentou no Concílio Vaticano II, resultou um documento importantíssimo que chama os leigos a uma participação mais activa na vida da igreja, como se pode deduzir da Constituição Dogmática “Lumen Gentium”. 
    Aliás, uma das grandes conquistas do Vaticano II foi a igreja ter tomado consciência que precisa de SER (mais sacramental e menos a sociedade perfeita que se julgava ser) ESTAR (presente onde for necessária com espírito missionário) e AGIR (segundo a sua vocação profética e não se remeter à simples condição de guardiã de umas quantas verdades). Claro que tudo isto tem a ver connosco, os leigos, que, sendo o cerne das comunidades, têm o dever de Ser, de Estar e de Agir, três pontos fundamentais para que a Igreja se “entenda” melhor, sem nunca perder de vista que as comunidades são “um mundo” construído com, e para os outros. São um edifício cuja construção, boa ou má, depende da qualidade das “pedras” que cada um de nós, os leigos, nela representa. 
    Aqui chegados, a grande questão é saber se os leigos saberão fazer jus ao lugar que lhes foi destinado pelo Concílio Vaticano II e se têm consciência que dentro de cada comunidade devem ser como o sal que se dissolve depois de cumprir a sua missão que é dar sabor, temperar a comida e não salgá-la. Neste sentido, e depois de cumprida a sua missão, jamais algum leigo se deve sobrepor aos demais, arrogando-se senhor do poder, ainda que seja muito importante para a comunidade no exercício de determinada função, pois, por mais útil que possa ser, nunca passará de mais uma pedra no corpo comunitário da Igreja, cuja força assentará sempre na contínua presença de Jesus Cristo, através do Espírito Santo. 
    Um leigo atento e participativo na comunidade, nunca se deve esquecer que tem a permanente missão de evangelizar e colocar ao serviço do bem comum os Dons que lhe foram atribuídos pelo poder do Espírito Santo. Neste sentido, que a Festa do Pentecostes, final glorioso da Páscoa de Jesus Cristo, proporcione um despertar Trinitário para a vida comunitária dos leigos, que se querem cada vez mais solidários e empenhados na construção de uma salutar Igreja Viva.

    © António Fernandes Coimbra

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 20.5.13 | Sem comentários

    Palavra para hoje: Pentecostes, Espírito Santo


    Presença do Espírito nos corações e em todo o universo! O Espírito convida a proclamar o acontecimento da Páscoa concretizado em silêncio. Deus atua e rejubila: o Filho é glorificado para sempre. Ele está totalmente envolvido na missão e pode-nos dizer: «Se Me amardes guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito». A oração do Filho concretiza-se: recebemos «outro Paráclito» — o Espírito Santo — para que a Igreja assuma a sua missão. O Espírito abre as portas «fechadas» e faz ecoar na Igreja a liberdade que é partilhada com toda a Criação. Entretanto, cada cristão é portador de uma esperança universal, alicerçada no dom que Deus faz de si mesmo a todos e para todos.


    Pergunta da semana: 

    Que experiência é que tenho da ação do Espírito Santo na minha vida?


    — Atos 2, 1-11 — Salmo 103 — Rom 8, 8-17 — João 20, 19-23 —
    Palavra de Deus - Lectio divina - imagem de fano
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.5.13 | Sem comentários

    Domingo de Pentecostes, Dia do Espírito Santo


    Evangelho segundo João 20, 19-23

    Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

    Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor

    Desalentados. Sem alento. Era assim que se encontravam os discípulos: sem alento; dominados pelo medo, depois da morte trágica de Jesus. As portas fechadas são um sinal evidente dessa situação. Jesus Cristo apresentou-se no meio deles para lhes oferecer três dons. Antes de mais, a alegria, quando lhes mostrou as mãos e o lado e eles reconheceram que era o «Senhor»; depois, o envio para uma missão de reconciliação na continuidade da própria missão de Jesus; finalmente, o Espírito Santo sob a forma de um sopro, um alento exalado sobre os discípulos.

    Soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo»

    Esta é talvez uma das imagens mais sugestivas para referir o Espírito Santo: o alento de Jesus Cristo exalado (soprado) sobre cada um de nós. O mesmo alento que levou Jesus a cumprir a missão de anunciar e tornar presente o Reino de Deus, amando até ao fim, entregando a sua vida. Agora, é esse alento que Ele nos oferece, um e outra vez, para que a nossa existência seja recriada à medida de Jesus Cristo, para participarmos na sua missão. 

    Dia de «portas abertas»

    Quando uma instituição ou uma empresa querem dar-se a conhecer, comunicar os seus objetivos, partilhar as suas atividades, organiza um dia que se costuma chamar de «portas abertas». Ora bem, a experiência do Espírito Santo tem de fazer com que a nossa comunidade viva sempre como um dia de «portas abertas» para que o sopro do Espírito Santo, o alento de Jesus Cristo, chegue a todas as pessoas. Um dia de «portas fechadas» só serve para aumentar os medos, complicar o que tem de ser simples, agravar os problemas, apagar a beleza e a alegria da fé.
      

    Alegria do encontro

    Que experiência é que tenho da ação do Espírito Santo na minha vida? A experiência imediata que todos fazemos, através dos sentidos, é que somos matéria, somos limitados. Mas há uma outra experiência, a espiritual, que nos ensina a ver a realidade de uma forma diferente: descobrimos em nós algo que nos aponta para o absoluto; é maior do que nós, mas ao mesmo tempo também faz parte de nós. Esta é a experiência do Espírito Santo! É uma realidade oferecida a todos. É esta experiência espiritual que nos traz a verdadeira segurança, a liberdade, a paz, a alegria.
    O texto do evangelho diz que o primeiro dom de Jesus Cristo ressuscitado aos discípulos é a alegria: «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor». «A alegria não é um sentimento vazio, uma pura sensação eufórica, abstrata e sem conteúdo. [...] A alegria está sempre relacionada com algo muito concreto que aconteceu e que a pessoa procurou ou sente como significativo para a sua própria vida» (Amadeo Cencini). Hoje, tal como com os discípulos, para vivermos na alegria é preciso que o encontro com Jesus Cristo seja algo concreto e significativo para a nossa vida. Rezemos ao Senhor Jesus ressuscitado que nos ensine a fazer a experiência pessoal da sua presença na nossa vida pela ação do Espírito Santo. Esta experiência não é automática. É preciso treinar, diariamente, para aprendermos a saborear a alegria pela presença do Senhor Jesus Cristo ressuscitado na nossa vida. E se não desistirmos de treinar, há de chegar o dia em que se diga de nós o mesmo que o evangelista diz sobre os discípulos: «ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor».

    © Laboratório da fé, 2013

    João 20, 20 - www.laboratoriodafe.net
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 19.5.13 | Sem comentários

    Mês de maio, Mês de Maria


    Oração a partir do texto da Lumen Gentium 59

    Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe:
    Tu sabes que foi da vontade de Deus
    manifestar solenemente a salvação humana
    só depois de ter enviado o Espírito Santo prometido por Cristo.

    Por isso, antes do dia do Pentecostes,
    os Apóstolos, unidos pelo mesmo sentimento,
    reuniram-se em oração no Cenáculo
    com algumas mulheres, contigo e os irmãos de Jesus.
    E assim te vemos também a implorar, 
    com as tuas preces, o dom do Espírito Santo, 
    que já tinha descido sobre ti 
    no momento da Anunciação. 

    Virgem-Mãe Imaculada, depois de teres sido
    preservada de toda a culpa original,
    foste elevada à glória do céu em corpo e alma
    e exalta da pelo Senhor como Rainha do Universo.

    E assim, mais te pareceste com o teu Filho,
    Senhor dos Senhores
    e vencedor do pecado e da morte.

    Salve, Rainha, 
    Mãe de misericórdia, 
    vida, doçura e esperança nossa. Salve!

    © Lopes Morgado

    Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

    Mês de maio, Mês de Maria


    O papa João Paulo II, no dia 28 de maio de 1997, dedicou uma Audiência Geral ao tema «Maria e o dom do Espírito Santo» para comentar o número 59, que pertence ao oitavo capítulo da Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium» (LG) do II Concílio do Vaticano. O Papa sublinha a presença orante de Maria junto dos Apóstolos para evocar a efusão do Espírito Santo para si mesma e para a Comunidade. «Na comunidade cristã a oração de Maria reveste um significado peculiar: favorece o advento do Espírito, solicitando a Sua acção no coração dos discípulos e no mundo».

    Caríssimos Irmãos e Irmãs:
    1. Percorrendo o itinerário da vida da Virgem Maria, o II Concílio do Vaticano recorda a sua presença na comunidade que espera o Pentecostes: «Tendo sido do agrado de Deus não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes que viesse o Espírito prometido por Cristo, vemos que, antes do dia de Pentecostes, os Apóstolos “perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, Maria Mãe de Jesus e Seus irmãos” (Atos 1, 14), implorando Maria, com as suas orações, o dom daquele Espírito, que já sobre si descera na anunciação» (LG 59). A primeira comunidade constitui o prelúdio do nascimento da Igreja; a presença da Virgem contribui para lhe delinear o rosto definitivo, fruto do dom do Pentecostes.
    2. No clima de espera, predominante no Cenáculo após a Ascensão, qual é a posição de Maria em relação à descida do Espírito Santo?
    O Concílio sublinha expressamente a sua presença orante em vista da efusão do Paráclito: Ela implora «com as suas orações o dom do Espírito». Esta observação resulta particularmente significativa, a partir do momento que na Anunciação o Espírito Santo já havia descido sobre ela, recobrindo-a com a «sua sombra» e dando origem à Encarnação do Verbo. Tendo já feito uma experiência muito singular acerca da eficácia desse dom, a Virgem Santíssima estava na condição de o poder apreciar mais do que qualquer outro; com efeito, à intervenção misteriosa do Espírito Ela devia a sua maternidade, que fazia dela a via de ingresso do Salvador no mundo. Diversamente daqueles que estavam presentes no Cenáculo em trépida espera, Ela, plenamente consciente da importância da promessa de seu Filho aos discípulos (cf. João 14, 16), ajudava a comunidade a dispor-se bem para a vinda do «Paráclito». A sua singular experiência, então, enquanto a fazia desejar ardentemente a vinda do Espírito, empenhava-a também em predispor mentes e corações daqueles que estavam ao seu lado.
    3. Durante aquela oração no Cenáculo, em atitude de comunhão profunda com os Apóstolos, com algumas mulheres e com os «irmãos» de Jesus, a Mãe do Senhor invoca o dom do Espírito para si mesma e para a Comunidade. Era oportuno que a primeira efusão do Espírito sobre ela, ocorrida em vista da maternidade divina, fosse renovada e fortalecida. Com efeito, ao pé da cruz, Maria tinha sido investida de uma nova maternidade, em relação aos discípulos de Jesus. Precisamente esta missão exigia um renovado dom do Espírito. A Virgem desejava-o, portanto, em vista da fecundidade da sua maternidade espiritual. Enquanto na hora da Encarnação o Espírito Santo tinha descido sobre ela, como pessoa chamada a participar dignamente no grande mistério, agora tudo se realiza em função da Igreja, da qual Maria é chamada a ser tipo, modelo e mãe. Na Igreja e para a Igreja Ela, lembrando- se da promessa de Jesus, espera o Pentecostes e implora para todos uma multiplicidade de dons, segundo a personalidade e a missão de cada um.
    4. Na comunidade cristã a oração de Maria reveste um significado peculiar: favorece o advento do Espírito, solicitando a Sua acção no coração dos discípulos e no mundo. Assim como na Encarnação o Espírito havia formado no seu seio virginal o corpo físico de Cristo, de igual modo agora no Cenáculo o mesmo Espírito desce para animar o Seu Corpo Místico. O Pentecostes, portanto, é fruto também da incessante oração da Virgem, que o Paráclito acolhe com favor singular, porque é expressão do amor materno dela para com os discípulos do Senhor. Contemplando a poderosa intercessão de Maria, que espera o Espírito Santo, os cristãos de todos os tempos, no longo e fatigoso caminho rumo à salvação, recorrem com frequência à sua intercessão para receber com maior abundância os dons do Paráclito.
    5. Respondendo à oração da Virgem e da comunidade reunida no Cenáculo no dia de Pentecostes, o Espírito Santo cumula da plenitude dos seus dons a Virgem e os presentes, operando neles uma profunda transformação em vista da difusão da Boa Nova. À Mãe de Cristo e aos discípulos são concedidos nova força e novo dinamismo apostólico para o crescimento da Igreja. Em particular, a efusão do Espírito conduz Maria a exercer a sua maternidade espiritual de modo singular, através da sua presença cheia de caridade e do seu testemunho de fé. Na Igreja nascente, Ela entrega aos discípulos, como tesouro inestimável, as suas recordações sobre a Encarnação, sobre a infância, sobre a vida oculta e sobre a missão do Filho divino, contribuindo para fazer com que Ele seja conhecido e para fortalecer a fé dos crentes. Não possuímos nenhuma informação sobre a atividade de Maria na Igreja primitiva, mas é lícito supor que, mesmo depois do Pentecostes, Ela tenha continuado a viver uma existência escondida e discreta, vigilante e eficaz. Iluminada e conduzida pelo Espírito, exerceu uma influência profunda sobre a comunidade dos discípulos do Senhor.

    © Copyright 1997 - Libreria Editrice Vaticana — www.vatican.va —

    João Paulo II - Karol Józef Wojtyła
    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários

    Maria depois da Ascensão


    Tendo sido do agrado de Deus não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes que viesse o Espírito prometido por Cristo, vemos que, antes do dia de Pentecostes, os Apóstolos «perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, Maria Mãe de Jesus e Seus irmãos» (Atos 1, 14), implorando Maria, com as suas orações, o dom daquele Espírito, que já sobre si descera na anunciação. Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Apocalipse 19, 16) e vencedor do pecado e da morte (Constituição Dogmática sobre a Igreja — «Lumen Gentium», 59).

    Mistérios a partir do texto da «Lumen Gentium»


    • PRIMEIRO MISTÉRIO: O ESPÍRITO PROMETIDO POR CRISTO
    O tempo pascal é por excelência o tempo do Espírito Santo doado «sem medida» por Jesus crucificado e ressuscitado. Este tempo de graça concluir-se-á com a festa do Pentecostes, na qual a Igreja revive a efusão do Espírito sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração no Cenáculo. É o grande dom de Cristo Ressuscitado que abre a nossa mente e o nosso coração à fé em Jesus como o Filho enviado pelo Pai e que nos guia para a amizade e a comunhão com Deus (Francisco, Audiência Geral de 8 de maio de 2013).

    • SEGUNDO MISTÉRIO: MARIA E OS APÓSTOLOS PERSEVERAM EM ORAÇÃO
    Percorrendo o itinerário da vida da Virgem Maria, o II Concílio do Vaticano recorda a sua presença na comunidade que espera o Pentecostes. O Concílio sublinha expressamente a sua presença orante em vista da efusão do Paráclito: Ela implora «com as suas orações o dom do Espírito». Ela, plenamente consciente da importância da promessa de seu Filho aos discípulos, ajudava a comunidade a dispor-se bem para a vinda do «Paráclito» (João Paulo II, Audiência Geral de 28 de maio de 1997).

    • TERCEIRO MISTÉRIO: O ESPÍRITO SANTO DESCE SOBRE MARIA E OS APÓSTOLOS
    O Espírito Santo cumula da plenitude dos seus dons a Virgem e os presentes, operando neles uma profunda transformação em vista da difusão da Boa Nova. À Mãe de Cristo e aos discípulos são concedidos nova força e novo dinamismo apostólico para o crescimento da Igreja. Em particular, a efusão do Espírito conduz Maria a exercer a sua maternidade espiritual de modo singular, através da sua presença cheia de caridade e do seu testemunho de fé (João Paulo II, Audiência Geral de 28 de maio de 1997).

    • QUARTO MISTÉRIO: MARIA FOI ELEVADA AO CÉU
    O Novo Testamento, embora não afirme explicitamente a Assunção de Maria, oferece o seu fundamento porque põe bem em evidência a perfeita união da Santa Virgem com o destino de Jesus. Esta união, que se manifesta a partir da prodigiosa conceção do Salvador, na participação da Mãe na missão do Filho e, sobretudo, na associação ao sacrifício redentor, não pode deixar de exigir uma continuação depois da morte. Perfeitamente unida à vida e à obra salvífica de Jesus, Maria compartilha o Seu destino celeste (João Paulo II, Audiência Geral de 2 de julho de 1997).

    • QUINTO MISTÉRIO: MARIA FOI EXALTADA POR DEUS COMO RAINHA
    A partir do século V, quase no mesmo período em que o Concílio de Éfeso a proclama «Mãe de Deus», começa-se a atribuir a Maria o título de Rainha. Maria é a rainha que possui e exerce sobre o universo uma soberania, que lhe foi dada pelo seu próprio Filho. Longe de criar distância entre nós e Ela, o estado glorioso de Maria suscita uma aproximação contínua e solícita. Ela conhece tudo o que acontece na nossa existência e sustenta-nos com amor materno nas provas da vida (João Paulo II, Audiência Geral de 23 de julho de 1997).

    • TRÊS AVE MARIAS FINAIS
    Nesta semana da vida, peçamos a Maria que nos ajude a dar mais vida à nossa vida. Maria é a Mãe de todos os que renascem para a vida. Ela é verdadeiramente a Mãe da Vida que faz viver todos os homens; ao gerar a Vida, gerou de certo modo todos aqueles que haviam de viver dessa Vida (João Paulo II, Carta Encíclica «O Evangelho da Vida», 138).

    • ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS > > >
    • TEMA GERAL DO MÊS DE MARIA 2013 > > >
    © Laboratório da fé, 2013

    Maio, mês de Maria, 2013 — Laboratório da fé

    Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 15.5.13 | Sem comentários
    Nihil Obstat — blogue de Martín Gelabert Ballester

    A metáfora não é uma coisa falsa. É uma comparação entre duas realidades: uma desconhecida ou difícil de expressar e outra mais acessível e fácil de entender, para conseguir ter uma ideia aproximada da primeira a partir da segunda. Quando, para nos referirmos à Ascensão do Senhor, utilizamos termos como «subiu aos Céus» ou «está sentado à direita do Pai» estamos a empregar metáforas que ajudam a dar um conteúdo à nossa fé. Porque a fé quer compreender, precisamente porque se refere a realidades decisivas nas quais está em jogo a vida humana. Tomás de Aquino, no seu Comentário ao Símbolo dos Apóstolos, diz: «o termo 'direita' não se aplica a Deus no sentido material, mas metafórico». O que se pretende dizer com este termo é que Jesus é igual ao Pai, que com a sua ascensão alcançou o maior de todos os bens, que é a vida com Deus. São Tomás acrescenta que isto de alcançar o maior de todos os bens está dirigido contra o diabo, que segundo o profeta Isaías (14, 13) quer colocar o seu trono acima das estrelas de Deus e tornar-se semelhante ao Altíssimo. Pois bem, diz o nosso autor, «isto não se cumpriu senão em Cristo».
    Agora que estamos a chegar ao final do tempo pascal, vale a pena referir que a Páscoa, chave e centro da fé, ponto de partida cronológico e teológico da fé cristã, é um acontecimento de uma riqueza tal que é impossível descrevê-lo apenas com uma imagem. Por isso, celebramos o mistério pascal durante cinquenta dias e continuamos a prolongar esta celebração em cada domingo. Trata-se de um acontecimento único, embora nós, para o entendermos melhor, celebramo-lo por etapas. Dito de outra maneira: Sexta-feira Santa, Páscoa, Ascensão e Pentecostes são a mesma realidade. Pode-se falar de quatro momentos, mas são mais perspetivas distintas do mesmo acontecimento. Quando é que Jesus sobe ao Céu, quando é que entra no mundo de Deus para nunca mais morrer? No dia da ressurreição. A ressurreição é a subida de Jesus ao Céu. E a partir do Céu assegura a perene efusão do Espírito, que ele entregou no dia da sua Crucifixão: ao morrer, diz o evangelho de João, entregou o seu espírito. Ao morrer, o que é que aconteceu? Isso mesmo, Deus acolheu-o para sempre no seu seio.
    A unidade entre ressurreição e exaltação, anotada em quase todos os escritos do Novo Testamento, parece ser rompida em Lucas, que entre a ressurreição e a ascensão intercala um tempo (simbólico) de quarenta dias. Este relato foi o que mais influenciou nas conceções correntes da fé. Mas isto não pode fazer-nos perder de vista o sentido teológico da ascensão, a saber: o ser de Jesus com Deus e o novo modo de estar connosco a partir de Deus.

    © Martín Gelabert Ballester, OP

    © tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
    A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



    Nihil obstat - www.laboratoriodafe.net
    Martín Gelabert Ballester, frade dominicano, nasceu em Manacor (Ilhas Baleares) e reside em Valencia (Espanha). É autor do blogue «Nihil Obstat» (em espanhol), que trata de questões religiosas, teológicas e eclesiais. Pretende ser um espaço de reflexão e diálogo. O autor dedica o seu tempo à pregação e ao ensino da teologia, especialmente antropologia teológica e teologia fundamental. 
    Outros artigos publicados no Laboratório da fé


    Postado por Anónimo | 13.5.13 | Sem comentários
    • Recentes
    • Arquivo