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Viver a fé! [4]


O quarto e último ponto (números 49 a 59) do primeiro capítulo do Compêndio da Doutrina Social da Igreja («O desígnio de amor de Deus para toda a Humanidade») retoma os temas anteriores para os colocar em sintonia com a «missão da Igreja». O conteúdo estrutura-se em quatro partes: A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana; Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais; Novos céus e nova terra; Maria e o seu ‘fiat’ ao desígnio de amor de Deus. Consciente de que a meta é escatológica, a missão da Igreja visa contribuir para que o Reino de Deus se torne já presente, no aqui e agora das relações humanas. É o próprio Jesus Cristo quem o afirma: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mateus 25, 31-46).

A Igreja, sinal e tutela da transcendência da pessoa humana

«A missão da Igreja é anunciar e comunicar a salvação realizada em Jesus Cristo, a que Ele chama ‘Reino de Deus’ (Marcos 1, 15), ou seja, a comunhão com Deus e entre os homens» (49). Por isso, ela é chamada a ser «sinal», «sacramento» e «instrumento» dessa comunhão que Deus quer estabelecer com todos os seres humanos. Ninguém está excluído (cf. tema 3) de participar no Reino de Deus, cuja realização plena acontecerá «além da história, em Deus» (49). A seguir, acrescenta-se que além de anunciar e comunicar o Evangelho — difundir «pelo mundo os ‘valores evangélicos’» — a missão da Igreja consiste também em constituir «novas comunidades cristãs» (50). Insiste-se que a sua meta é sempre escatológica (cf. 51). Por isso, a Igreja não se pode confundir «com a comunidade política nem está ligada a nenhum sistema político» (50).

Igreja, Reino de Deus e renovação das relações sociais

A salvação oferecida por Deus, em Jesus Cristo, «não redime somente a pessoa individual, mas também as relações sociais entre os homens» (52). A tarefa de transformar as relações sociais, «que responde às exigências do Reino de Deus», é uma competência da Igreja presente em cada comunidade cristã, «que a deve elaborar e realizar através da reflexão e da praxe inspiradas no Evangelho» (53). Ela é «lugar de comunhão, de testemunho e de missão» e «fermento de redenção e transformação das relações sociais» (52). Neste contexto, relembra-se (cf. tema 2) a força e a eficácia do «novo mandamento do amor» para a transformação das relações entre os seres humanos. «Esta lei é chamada a tornar-se a medida e a norma última de todas as dinâmicas nas quais se desdobram as relações humanas» (54). Na verdade, inspirado em Deus («Deus é amor»: 1João 4, 8), o amor entre os humanos é o «instrumento mais potente de mudança, no plano pessoal assim como no social. O amor recíproco, participação no amor infinito de Deus é, com efeito, o autêntico fim, histórico e transcendente, da humanidade. Portanto, ‘embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que possa conferir uma melhor ordenação à sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus’» (55).

Novos céus e nova terra

«A promessa de Deus e a ressurreição de Jesus Cristo suscitam nos cristãos a fundada esperança de que para todas as pessoas humanas é preparada uma nova e eterna morada, uma terra em que habita a justiça» (56). A meta é (sempre) escatológica. Contudo, não dispensa, antes pelo contrário, compromete o cristão no amadurecimento da história e das relações entre os humanos que «alcançam a sua perfeição graças ao empenho em melhorar o mundo, na justiça e na paz» (58). Até porque «a configuração com Cristo e a contemplação do seu Rosto», que são fundamentais para o cristão, infundem neste «um anelo indelével por antecipar neste mundo, no âmbito das relações humanas, o que será realidade no mundo definitivo» (58). Trata-se de levar à plenitude a prática das boas obras: as obras de misericórdia (cf. 57): «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mateus 25, 40).

Maria e o seu 'fiat' ao desígnio de amor de Deus

Este ponto termina com a referência a Maria. Ela, «herdeira da esperança dos justos de Israel» e a primeira entre os discípulos, acolhe Jesus Cristo («o enviado do Pai, o Salvador»), «em nome de toda a humanidade. [...] Maria, totalmente dependente de Deus e toda orientada para Ele, com o impulso da sua fé ‘é a imagem mais perfeita da liberdade e da libertação da humanidade e do cosmos’» (59).

© Laboratório da fé, 2014 
Os números entre parêntesis dizem respeito ao «Compêndio da Doutrina Social da Igreja» 
na versão portuguesa editada em 2005 pela editora «Princípia» 





Laboratório da fé, 2014

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 30.10.14 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO TRIGÉSIMO QUARTO


Certamente que muitos já se admiraram pelo facto de ter sido escolhido para a festa de «Jesus Cristo, Rei do Universo» o evangelho em gozam com Jesus crucificado: troça feita pelos dirigentes judaicos, pelos soldados romanos e até por um dos que o acompanham no suplício da crucificação. A verdade é que o reinado de Jesus é algo bem diferente do que é exercido pelos que são chamados reis ou governantes. Ele é o ungido (Messias) de Deus, o rei dos judeus e também de todo o universo, aquele que proclama a chegada do reinado de Deus. O seu reino não «é» deste mundo, mas não quer dizer que não se tenha iniciado «neste» mundo. É um reinado de amor, de perdão («Hoje estarás comigo no Paraíso»), de fraternidade, de dignidade humana, de serviço. É outra forma de entender as relações de poder.
A sua forma de viver e de morrer ensina a qualquer um que tenha cargos de responsabilidade, sobretudo na Igreja, que não pode ser como é habitual neste mundo; tem de ser de outra maneira. O seu reinado é serviço – no sentido literal da expressão –, sobretudo aos que mais necessitam; é entrega até às últimas consequências, mesmo até à morte; é fazer-se como o mais pequeno, como o mais débil; é renunciar a qualquer imposição; é abdicar de qualquer privilégio...

© Javier Velasco-Arias

© La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor




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Preparar o domingo trigésimo quarto, Ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 22.11.13 | Sem comentários
La Biblia compartida — blogue de Javier Velasco-Arias y Quique Fernández

No evangelho do vigésimo primeiro domingo, à pergunta: «Senhor, são poucos os que se salvam?», Jesus não responde sim nem não; ao menos é o que parece à primeira vista. Numa leitura mais repousada, damos conta que são muitos — melhor, todos — os que estamos convidados para o banquete do Reino: «Hão de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus».
Mas, há mais matizes na resposta de Jesus. Jesus fala de esforço: a salvação é um dom gratuito, mas exige de nós uma resposta, uma resposta de amor, de amor de doação, de amor desinteressado... Na minha terra diz-se com frequência: «obras são amores e não boas razões».
E Jesus continua, num discurso que tem muito a ver com o juízo final: «Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’». Não é difícil descobrir que fala de muitos que participaram na mesa do pão da vida e na mesa da palavra de Deus — hoje, diríamos, na Eucaristia — mas não são reconhecidos como dignos do Reino de Deus. Não é suficiente uma vida de oração e de sacramentos, se em nós não há uma mudança definitiva, radical... Não nos pede para ser «super-homem» ou «super-mulher», mas algo mais simples, embora mais essencial: que toda a nossa vida e todos os nossos atos estejam fecundados pelo amor.

© Javier Velasco-Arias

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
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Preparar o vigésimo primeiro domingo, ano C, no Laboratório da fé
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 24.8.13 | Sem comentários

Domingo da décima quarta semana


Evangelho segundo Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

Está perto de vós o reino de Deus

A palavra «missão» ou «missionário», para uma boa parte das pessoas, no contexto religioso, ainda remete apenas para alguém que, em nome de Jesus Cristo, parte para o estrangeiro. No entanto, é preciso tomar consciência de que qualquer cristão é missionário. Todos somos enviados em missão, em primeiro lugar, para a nossa própria casa, o nosso local de trabalho, os lugares de diversão, o nosso ambiente de vida. A missão não é só para alguns, mas para toda a Igreja, para todos os cristãos. O evangelista mostra-o com o envio de setenta e dois discípulos. Já não são apenas os Doze (Apóstolos), mas a totalidade dos discípulos. Setenta e dois é um número simbólico que, no livro do Génesis, designa todos os povos da terra; agora, significa todos os discípulos de Jesus Cristo. A Boa Nova é para todo o mundo e para todos os tempos.

Deus ama como uma mãe

No domingo passado, Jesus Cristo convidou-nos a segui-lo para anunciar o reino de Deus. Eis o conteúdo desse anúncio expresso neste domingo: «Está perto de vós o reino de Deus». Dizer que o reino de Deus «está perto» (ou «está próximo») é sinal de que Deus vem trazer algo de novo ao mundo e à nossa vida. Ele vem realizar a promessa do profeta Isaías, na primeira leitura: «Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei». Nada de discussões teológicas, nada de discursos apologéticos, nada de propagandas religiosas, nada de doutrinas, nada de rituais ou normas... A única coisa fundamental para anunciar é que Deus ama como uma mãe! Não podemos ficar com dúvidas sobre o sentido deste anúncio. O modo de anunciar pode ser diferente de pessoa para pessoa. Mas a base, o fundamento do anúncio, é a vida de cada cristão, a vida de cada um de nós. Viver como cristãos é o melhor anúncio da presença do reino de Deus. «Eu sou um bom cristão. Todos os domingos, às 11h, vou à missa. E faço isso como se fosse uma coleção. A vida cristã não é uma colagem de coisas! É uma totalidade harmoniosa, feita pelo Espírito Santo que renova tudo: renova o nosso coração, a nossa vida; e faz-nos viver num estilo de vida diferente, que envolve toda a nossa existência. Não se pode ser cristão pela metade, a tempo parcial. O cristão a tempo parcial não funciona!» (Francisco).
Hoje, Jesus Cristo «envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra. Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens e mulheres de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé» (Bento XVI, «A Porta da Fé», 7).

Como vivo, no dia a dia, a dimensão missionária da fé?
Enviados, os discípulos voltam para junto de Jesus, cheios com tudo o que viram e experimentaram. Voltam com as mãos vazias, os pés descalços, mas o coração cheio de gratidão e de alegria. Também nós, voltamos para junto de Jesus Cristo, neste domingo, reencontrando os nossos irmãos e irmãs na fé. Em cada eucaristia somos convidados a renovar a nossa fé, a reforçar a nossa alegria. Deixemos que a alegria habite o nosso coração, acolhendo-a com um dom do Pai.

© Laboratório da fé, 2013

Décima quarta semana, no Laboratório da fé, 2013
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 8.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo quarto domingo

7 DE JULHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 10, 1-12.17-20

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».



O evangelho segundo Lucas também é chamado evangelho do Espírito Santo. Este é, justamente, um dos aspetos mais característicos, não só do evangelho, mas de toda a obra de Lucas: evangelho e Atos dos Apóstolos. O Espírito Santo é citado cerca de sessenta vezes; e podemos afirmar, com razão, que está presente desde o início até ao fim da obra. No primeiro capítulo do evangelho, encontramos quatro referências. Cito as duas primeiras. No anúncio do nascimento do Batista diz: «será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno» (cf. Lucas 1, 15). No anúncio do nascimento de Jesus, o anjo diz a Maria: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra» (cf. Lucas 1, 35).
O mesmo acontece no primeiro capítulo do Atos dos Apóstolos: também é citado por quatro vezes (cf. Atos 1, 2.5.8.16). No prólogo (cf. Atos 1, 8), Jesus, o Vivente, diz: «Quando o Espírito Santo descer sobre vós, recebereis a força para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria, e até aos confins do mundo». É o mesmo Espírito que conduz a Igreja, hoje se sempre.

© Miquel Raventós, Misa dominical
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013



Lucas 10, 1-12.17-20

A vossa paz repousará sobre eles


Situada no início do «caminho para Jerusalém» (Lucas 9, 51 — 19, 28), a página do evangelho referente ao décimo quarto domingo (Lucas 10, 1-20) oferece-nos uma síntese sobre a missão cristã. Nela, distinguem-se três partes: versículos 1-12 (várias instruções aos discípulos); versículos 13-16 — omitidos no texto litúrgico (ameaças contra os insubmissos); versículos 17-20 (o regresso dos discípulos).
Lucas apresenta Jesus a organizar uma missão para as povoações que vai visitar. Desta vez, envia 72 discípulos, para indicar que a missão não é exclusiva dos Doze, mas de toda a comunidade eclesial. O número escolhido é emblemático e indica tanto a fonte da missão (os 70 anciãos de Israel, antecipação da Igreja), como os destinatários, isto é, o número das nações pagãs enumeradas no «mapa das nações», no livro dos Génesis (capítulo 10), que indica a totalidade dos povos da terra. Assim, o horizonte da missão da Igreja é universal. Além disso, no primeiro versículo, encontramos uma bela definição de discípulo e missionário: vai «à frente» de Jesus, precede-o como precursor. Jesus envia-os «dois a dois», para que o seu testemunho tenha valor jurídico como exigia a lei (Deuteronómio 17, 6; 19, 15).
Os compromissos principais do missionário são três. Primeiro, a oração, «pedi», pois a fecundidade missionária nasce do contacto vivo e pessoal com Deus. Segundo, anunciar o Evangelho com paz, serenidade e valentia, mesmo perante a ameaça de perseguição («como cordeiros para o meio de lobos»). Propor, nunca impor ou forçar. Terceiro, ter uma vida sóbria e austera. Definitivamente, viver segundo o estilo de Jesus (cf. 9, 58).
Terminado o trabalho, os discípulos voltam para junto do Senhor. O mal afasta-se («obedeciam») perante a força avassaladora do Evangelho. O entusiasmo é inevitável, mas Jesus trava-o, para entenderem que a verdadeira alegria não está no poder ou no êxito, mas em ter os nomes «escritos nos Céus» (versículo 20).

© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013
A utilização ou publicação deste texto precisa da prévia autorização do autor



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Décimo quarto domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 5.7.13 | Sem comentários

PREPARAR O DOMINGO: décimo terceiro domingo

30 DE JUNHO DE 2013

Evangelho segundo Lucas 9, 51-62

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?». Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus».



Segunda, 24: CONNOSCO

Apesar de Jesus ter tomado sozinho e com coragem a decisão de ir para Jerusalém, não faz uma caminhada solitária. Envia mensageiros antes dele. Os discípulos continuam a caminhar com ele. Jesus escolhe deliberadamente viver a sua missão connosco. João Batista, que o batizou e cuja festa de nascimento celebramos hoje, sabe alguma coisa: Jesus não quis começar a sua missão sem receber dele o batismo. Jesus, escolheste caminhar connosco do início até ao fim. Bendito sejas!



Terça, 25: COM ELE

Os mensageiros são enviados «à sua frente». Com que missão? Preparar a vinda de Jesus. Haverá forma de dizer melhor que qualquer iniciativa não se pode fazer senão com ele? Nenhum itinerário pode ser traçado sem que se torne, um dia, o caminho de Jesus. Jesus, dás sentido à nossa vida. Bendito sejas!



Quarta, 26: COM ELAS

Haverá sempre pessoas que recusam acolher Jesus, quer seja na Samaria ou em qualquer outro lugar da terra. Mas sempre que isso aconteça, Jesus recusa dar-lhes a morte. O fogo do céu não cairá sobre elas. Haverá forma melhor de dizer que Jesus nunca perde a esperança e pede-nos para nunca pensarmos num mundo, numa igreja senão com elas? Jesus, não queres a morte de ninguém. Bendito sejas!



Quinta, 27: SEM DOMICÍLIO

A quem, cheio de ardor, tem um vivo desejo de seguir Jesus para todo o lado, Jesus revela a sua identidade de não ter domicílio fixo. Colocar-se no seguimento de Jesus não instala o discípulo, confortavelmente, num edifício da igreja. Pelo contrário, o seguimento de Cristo provoca movimento. Faz caminhar, abre horizontes e ultrapassa todas as fronteiras. Ó Cristo, o mundo é a tua casa. Bendito sejas!



Sexta, 28: SEM MORTE

Àquele que é chamado por Jesus a segui-lo e que, legitimamente, pede para ir primeiro enterrar o pai, a resposta de Jesus é forte, surpreendente, até chocante. Na realidade, para aquele que é chamado a caminhar no seguimento daquele que é «o caminho, a verdade e a vida», a morte já não existe. A morte já morreu, foi vencida. Não tem qualquer poder sobre ele. O anúncio do reino de Deus volta todo o universo para o reino do Vivente. A vida chama à vida. Ó Cristo, a vida contigo, o Vivente, está acima da morte e dos mortos. Bendito sejas!



Sábado, 29: SEM DESPEDIDA

A um outro que também deseja segui-lo, Jesus não autoriza que se vá despedir dos seus familiares. O reino de Deus volta para o futuro. Arrasta tudo à sua passagem. Faz perder tudo para ganhar tudo. Faz passar para último o que era primeiro e coloca em primeiro plano o que era tido como nada e sem futuro. A alegria do Reino altera a ordem das coisas. Ó Cristo, a tua vinda volta-nos para o Pai. Bendito sejas!



Domingo, 30: LIVRES PARA O REINO DE DEUS!

Esta passagem do evangelho dá um novo alento. Um alento de grande liberdade para enfrentar a vida tal como ela é e não como gostaríamos que fosse. Jesus sabe que vai ser elevado do mundo, mas não o evita. Enfrentará vitoriosamente as forças do mundo que vão colocar-se contra ele. Nada fará parar a sua caminhada amorosa: o seu amor para connosco mostrar-se-á ainda mais forte. Esta liberdade que é dada pelo amor é contagiosa. Quem deseja seguir Jesus, coloca-se nos passos de Jesus, é convidado a entrar pouco a pouco numa liberdade renovada pelo reino de Deus. Neste domingo, a forma como vamos à missa testemunhe esta grande liberdade amorosa. Estejamos sempre mais livres para o reino.



© www.versdimanche.com
© tradução e adaptação de Laboratório da fé, 2013

Décimo terceiro domingo, Ano C
Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 25.6.13 | Sem comentários

Esta é a nossa fé [29]


Reflexão semanal 
sobre o Credo Niceno-constantinopolitano

No «Credo» niceno-constantinopolitano, o artigo dedicado a Jesus Cristo termina com a afirmação da vitória final: «e o seu reino não terá fim». Qual é o reino de Jesus Cristo? Quando é que começa? Este tema será de novo aprofundado quando nos referirmos, no final do «Credo», à esperança na ressurreição e na vida «do mundo que há de vir» (temas 40 e 41) [Para ajudar a compreender melhor, ler: Primeira Carta aos Coríntios 15, 20-28; Catecismo da Igreja Católica, números 668-682]

«É necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés» — afirma Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, ao refletir sobre a vitória obtida com a ressurreição de Jesus Cristo. A seguir acrescenta: «O último inimigo a ser destruído será a morte». Paulo mostra-nos que a vitória definitiva de Jesus Cristo acontece com a vitória sobre a morte. Ora, isso já aconteceu, pois a ressurreição é a manifestação dessa vitória. No entanto, ainda não está totalmente concluída, uma vez que o pecado e a morte continuam presentes nesta nossa existência terrena. De facto, todos podemos constatar que Jesus Cristo «não eliminou a morte biológica: o organismo do ser humano, como o de qualquer ser vivo, corrompe-se e acaba por sucumbir. Porque é que dizemos então que Ele venceu a morte? Ele venceu-a porque a privou do seu sentido de destruição total do ser humano e transformou-a no nascimento duma vida plena e definitiva. Ele foi o primeiro a percorrer esse caminho e com Ele chegam à vida de Deus todos os que morrem com Ele» (Fernando Armellini, «O banquete da Palavra. Ano A», Paulinas, Lisboa 1995, 415). Em Jesus Cristo a história já atingiu a plenitude, mas ainda não se consumou o final dos tempos. Aí, será instaurado definitivamente o Reino, para que «Deus seja tudo em todos».

E o seu reino não terá fim. O tema do Reino acompanha toda a vida de Jesus Cristo. «Desde o anúncio do seu nascimento, o Filho unigénito do Pai, que nasceu da Virgem Maria, é definido ‘rei’ no sentido messiânico, ou seja, herdeiro do trono de David, segundo as promessas dos profetas, para um reino que não terá fim (cf. Lucas 1, 32-33). A realeza de Cristo permaneceu totalmente escondida, até aos seus trinta anos, transcorridos numa existência comum em Nazaré. Depois, durante a vida pública, Jesus inaugurou o novo Reino, que ‘não é deste mundo’ (João 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a sua morte e ressurreição. Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos, disse: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra’ (Mateus 28, 18): esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do seu Filho. O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que todo aquele que acredita no Verbo encarnado ‘não morra, mas tenha a vida eterna’ (João 3, 16). Por isso, precisamente no último Livro da Bíblia, o Apocalipse, Ele proclama: ‘Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim’ (Apocalipse 22, 13)» (Bento XVI, «Angelus» de 20 de novembro de 2005). Esta reflexão pode ser complementada pela (re)leitura dos temas 14 e 23: «Por Ele todas as coisas foram feitas» e «Ressuscitou ao terceiro dia». O II Concílio do Vaticano, na Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual («Gaudium et Spes») esclarece: «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. [...] Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reina a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos seres humanos. [...] Sobre a terra, o reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição» (número 39). Na verdade, do início até ao fim, o Reino está intimamente ligado a Jesus Cristo. «Onde Jesus Cristo chegava, chegava o Reino. Onde Jesus Cristo estava, o Reino de Deus mostrava-se. Quando as pessoas tocavam em Jesus, estavam a tocar no Reino, quando o viam estavam a vê-lo. Quando escutavam as parábolas, estavam a escutar a gramática insuspeita do Reino. [...] Este é o grande anúncio de Jesus: ‘O Reino Deus está no meio de vós’! Está dentro de nós, no meio do mundo, no interior da História como semente... É este o maravilhoso tesouro a descobrir. Deus já está presente! [...] Hoje a minha vida está envolvida pelo Reino de Deus» (José Tolentino Mendonça, «Pai nosso que estais na Terra», Paulinas, Prior Velho 2011, 81.83).

A dinâmica do Reino está presente na oração (Pai nosso), na liturgia (último domingo do ano litúrgico: «Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo») e em toda a vida do cristão!

© Laboratório da fé, 2013


Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé  Credo niceno-constantinopolitano, no Laboratório da fé

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 16.5.13 | Sem comentários
— palavra para sexta-feira da terceira semana —



— Evangelho segundo Marcos 4, 26-34

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

— É a menor de todas as sementes

A linguagem usada por Jesus é (era) fácil de entender. A agricultura e as pescas eram as principais atividades daquele povo. Jesus não faz grandes discursos filosóficos ou teóricos. Constroi as comparações, parábolas, a partir da vivência do dia a dia, realidades conhecidas de todos os ouvintes.
As parábolas deste texto destacam, em conjunto, a força da vida, a vitalidade da natureza. Esta força (natural) é tão dinâmica que germina, cresce, frutifica, amadurece, dá mais vida. Uma pequena semente, como o grão de mostarda — «é a menor de todas as sementes» —, tem em si uma enorme vitalidade.
A vida é mais forte do que todas as crises. Nós, cristãos, recebemos todos os dias uma boa semente, o Evangelho, que representa a base da vida, a nossa força vital. Infelizmente, muitas vezes e muitas pessoas, desconfiam desta potencialidade escondida dentro de tão pequena semente... apesar de Jesus dizer e repetir que o Reino de Deus é assim: «a menor de todas as sementes».
Há quem continue a pensar que a vida de fé ou a vida da Igreja só tem sentido se for poderosa e influente. Em vez de olhar para cima, para o poder e a influência, é preciso aprender a olhar para baixo, para as raízes, onde está a fonte da vida, a força vital. Uma fé enraizada na fonte da vida, no Evangelho, torna-se uma grande planta, onde todas as pessoas «podem abrigar-se à sua sombra». 
Hoje, olha para dentro de ti. Contempla a pequena semente do Evangelho que Jesus lança no teu coração. É o pequeno que produz mudanças. Temos que estar orgulhosos de ser pequenos; e tomar consciência de que a nossa pequenez é a nossa força.
 

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 1.2.13 | Sem comentários
— palavra para sábado da segunda semana —



— Evangelho segundo Lucas 10, 1-9

Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.

— Está perto de vós o reino de Deus

Timóteo e Tito foram companheiros de evangelização. A sua conversão está ligada a Paulo. A liturgia da Igreja celebra-os no dia seguinte à conversão de Paulo. Foram grandes colaboradores na tarefa de levar a Boa Nova a outras regiões além de Jerusalém. O Novo Testamento contém Cartas de Paulo dirigidas a Timóteo e a Tito.
«Está perto de vós o reino de Deus». São estas as palavras que Jesus confia aos discípulos para serem proclamadas no encontro com as pessoas, especialmente os doentes. Uma missão que ultrapassa o pequeno grupo dos Apóstolos. Jesus confia-a aos «setenta e dois discípulos». A utilização do número sete indica a plenitude, a totalidade dos discípulos. 
A missão de anunciar o Evangelho não é para alguns. É para todos os cristãos. Hoje, todos os cristãos somos enviados por Jesus Cristo para transmitir a paz, «curar» os doentes e proclamar: «Está perto de vós o reino de Deus».

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 26.1.13 | Sem comentários
— palavra para seguda-feira da primeira semana —

— Evangelho segundo marcos 1, 14-20

Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

— Eles deixaram logo... e seguiram Jesus

Começa uma nova etapa na história da humanidade. Jesus anuncia a proximidade do Reino de Deus para inaugurar essa nova etapa para a vida humana. Dizer que «está próximo o Reino de Deus» é afirmar a presença de Deus no meio dos homens e mulheres. O Deus de Jesus Cristo não está no «alto do Céus». Ele está no meio de nós! Ele está connosco!
A novidade de Jesus está nesta afirmação de que Deus está presente na nossa vida, identificado com a nossa humanidade. É o que Jesus vai explicar e mostrar com palavras e com gestos, isto é, com toda a sua vida. Jesus diz mais do que isto: Deus está presente no nosso trabalho, no nosso decanso, nos nossos sofrimentos, nas nossas alegrias. Jesus diz que em tudo o que é verdadeiramente humano está Deus. Isto é o Evangelho, a Boa Notícia!
A primeira atitude para agir como Jesus é o desprendimento, deixar tudo. Os primeiros discípulos deixaram (as redes, o pai) as suas seguranças anteriores para estarem livres no seguimento de Jesus Cristo. É a primeira coisa a fazer, hoje! Enquanto não for capaz de a fazer, não poderei avançar com Jesus. Mas as seguranças (anteriores) são tão confortáveis. Preferes continuar agarrado às tuas seguranças? Está na hora de deixar tudo e seguir Jesus!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 14.1.13 | Sem comentários
— palavra para quinta-feira da segunda semana de advento —


— Evangelho segundo Mateus 11, 11-15

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos oiça». 

— Quem tem ouvidos, oiça!

João Batista é o «maior» e o «mais pequeno»! Ele é uma das figuras deste tempo de Advento. A sua missão foi ajudar as pessoas a perceberem a dinâmica do Reino de Deus. João veio para despertar no coração do povo a necessidade da conversão; e a importância de estar preparado para acolher o Salvador. É este «acontecimento» que celebramos no tempo de Advento.
A partir da referência a João Batista, Jesus apresenta a lógica do Reino de Deus. Como profeta que prepara o caminho do Reino de Deus, João é o «maior». Mas Jesus diz que mais importante é fazer parte do Reino, isto é, viver em comunhão com Deus. João foi só um momento da História da Salvação. Depois dele, começa uma nova etapa, a definitiva, inaugurada por Jesus Cristo. Quem aceita fazer parte desta dinâmica é «maior» do que João Batista.
Sobre isto não existe qualquer dúvida. Assim o expressa Jesus ao dizer: «Quem tem ouvidos oiça». Bem podemos dizer que esta é a primeira atitude para integrar o projeto do Reino de Deus. Escutar. «Escuta Jesus que te fala no Evangelho», foi uma das respostas dadas pelo Papa, no dia de ontem (12 de dezembro), através do twitter, para responder à pergunta: «Como podemos viver melhor o Ano da Fé no nosso dia a dia?». Para ser o «maior» no Reino de Deus, faz-te «pequeno», escuta o que Jesus tem para te dizer!

Postado por Marcelino Paulo Ferreira | 13.12.12 | Sem comentários
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